Anja Niedringhaus/AP - 08/12/2009
Anja Niedringhaus/AP - 08/12/2009

China critica proposta de redução de gases poluentes da UE

Governo chinês sugere que bloco europeu corte suas emissões de poluentes em proporção ao PIB

Efe,

09 Dezembro 2009 | 09h46

O diretor do departamento de Mudança Climática da Comissão de Reforma e Desenvolvimento do governo chinês, Su Wei, afirmou que a União Europeia (UE) "não cumpre suas obrigações com os países em desenvolvimento", e propôs reduzir as emissões poluentes em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB).

 

As críticas à UE de Wei, que lidera a delegação chinesa na cúpula de Copenhague, se juntaram às do Ministério de Relações Exteriores do país, já que segundo a porta-voz Yu Jiang, os países desenvolvidos devem liderar a redução em emissões "mas também transferir fundos e tecnologia aos países em desenvolvimento".

 

Enquanto isso, especialistas independentes começam a analisar friamente a oferta de Pequim e que foi tão bem recebida a princípio em Copenhague, pois até então o governo chinês não havia feito propostas significativas para enfrentar a mudança climática.

 

Veja também:

linkChina fechará siderúrgica que ultrapassar limites de poluição

linkRascunho de acordo da cúpula privilegia ricos  

linkFundo do clima tem de incluir Brasil, diz ONU

especialGlossário sobre o aquecimento global

especialO mundo mais quente: mudanças geográficas devido ao aquecimento

especialEntenda as negociações do novo acordo   

especialRumo à economia de baixo carbono 

 

Embora possa parecer que a China tenha anunciado a redução de 45% das emissões de CO2, na realidade o que diminuirá é um conceito mais sofisticado chamado "intensidade de carbono", ou número que se obtém ao dividir as emissões de dióxido de carbono de um país por seu PIB, segundo os especialistas consultados pela Agência Efe e que pediram anonimato.

 

Ou seja, se a China aumentar muito seu PIB, poderá cumprir o prometido, sem diminuir o CO2 lançado à atmosfera pelas fábricas ou até mesmo aumentá-lo, sempre que o crescimento deste aconteça em ritmo menor que o de seu PIB, disseram.

 

Se, por exemplo, a China emitir 100 toneladas de CO2 e seu PIB for de 20 trilhões de iuanes, sua intensidade de carbono será 5 (resultado da divisão dos números).

 

Ao ter prometido diminuir em 45% a intensidade de CO2, o número 5 poderia se transformar, por exemplo, em 3, resultado que se obteria também se os dois fatores da equação aumentarem - tanto as emissões como o PIB -, mas não haveria diminuição de emissões.

 

"O mais provável é que haja um aumento lento das emissões de dióxido de carbono ou uma estagnação, já que diminuir significaria fechar indústrias, e a China não fará isso", concluíram os especialistas.

Mais conteúdo sobre:
China UE emissão CO2 Copenhague ONU clima

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.