Chegada de pingüins surpreende e assusta biólogos baianos

O Instituto de Mamíferos Aquáticos recebeu até ajuda da Marinha para conseguir alocar todos os animais

Efe

05 Agosto 2008 | 16h21

Salvador, na Bahia, está acostumada a receber turistas, mas nas últimas três semanas a cidade recebeu alguns "turistas" diferentes: cerca de 500 pingüins vindos da Patagônia.  "Estamos enfrentando grandes dificuldades para atender aos pingüins. Não estamos preparados para isso. Desde 2001 nós não recebíamos nenhum pingüim por aqui, e desde 17 de julho recebemos cerca de 500", disse a bióloga Sheila Serra, coordenadora do Instituto de Mamíferos Aquáticos (IMA) da Bahia. É por sua localização a cerca de 2.800 quilômetros das praias do litoral sul do Brasil que a cidade não esperava a chegada de centenas de pingüins de Magalhães, fracos e debilitados, e não possui a infra-estrutura para seu tratamento e devolução ao mar.  "Primeiro os alocamos em um centro de habilitação que estávamos construindo, e depois tivemos que improvisar alojamentos nas piscinas, nas clínicas e até um nosso auditório. Todas as nossas áreas estão comprometidas", disse.  "Tivemos que pedir ajuda à Marinha, que nos emprestou três tendas de campanha que montamos na área externa e para onde estamos levando aqueles que estão em melhores condições", acrescentou.  Para o IMA, que rapidamente recebeu uma autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para atender aos pingüins, estão sendo levados os animais que chegam às praias de Salvador e outras regiões vizinhas.  No entanto, outros pingüins estão chegando mais longe, até Sergipe e Alagoas. "Montamos uma base na cidade de Aracaju onde mantemos os dez pingüins que se aventuraram mais longe", afirmou.  Segundo Sheila, pingüins não chegavam ao Estado da Bahia desde 2001, quando cerca de 20 animais foram arrastados para a região por mudanças nas correntes marítimas provocadas pelo El Niño.  "Ainda não sabemos o porquê dessa onde atual, mas acreditamos que o fenômeno La Niña e algumas outras mudanças climáticas tenham levado as águas mais frias da Patagonia para o norte. Inclusive, a temperatura em Salvador das águas marítimas está três graus abaixo do normal." "No entanto os pingüins suportam temperaturas de 7 a 30 graus. Não são de zonas completamente geladas e por isso não chegam a ter problemas na cidade, onde as temperaturas de inverno chegam a beirar os 30 graus." Autoridades locais realizaram campanhas informativas para evitar que, como chegou a ocorrer, algumas pessoas no intuito de salvar os animais não os coloquem em baldes com gelo ou na geladeira.  A bióloga explicou que os animais são, inicialmente, alocados em locais quentes para sua recuperação. Ela explicou que os pingüins que chegam à praia são inexperientes e acabam perdendo sua capa de gordura na jornada, o que os deixa em estado de hipotermia.  Os que sobreviverem ao tratamento complicado serão levados até Arraial do Cabo, no litoral do Rio de Janeiro, onde serão liberados nas águas. Espera-se que as correntes os ajudem a retornar para a Patagônia.

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