Chefe da ONU já admite fracasso na reunião climática de Cancún

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, admitiu nesta segunda-feira que a conferência climática do final do ano em Cancún talvez não resulte em um acordo definitivo para conter o aquecimento global. Muitos negociadores e alguns subordinados de Ban já haviam expressado essa preocupação.

PATRICK WORSNI, REUTERS

09 de agosto de 2010 | 17h34

A conferência de Cancún (México) vai de 29 de novembro a 10 de dezembro. As atenções estão voltadas para esse encontro desde dezembro do ano passado, quando a cúpula climática de Copenhague terminou sem um novo tratado de cumprimento obrigatório para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

"Precisamos ser práticos e realistas", disse Ban em resposta a uma pergunta na entrevista coletiva mensal na sede da ONU, nesta segunda-feira. "Pode ser o caso de que não sejamos capazes de termos um acordo vinculante abrangente em Cancún."

Na semana passada, uma reunião de trabalho em Bonn (Alemanha) terminou com os participantes dizendo que as negociações haviam retrocedido ao invés de avançarem.

A chefe de questões climáticas da ONU, Christiana Figueres, disse naquela reunião que o acordo final "levaria mais tempo" do que a reunião de Cancún, e que seria mais urgente fazer com que os países cumpram compromissos assumidos previamente no que diz respeito a ajuda à adaptação climática e proteção florestal nos países pobres.

Ban disse ter havido um "progresso real" em algumas áreas, como o financiamento para que os países pobres enfrentem a mudança climática, o desenvolvimento da tecnologia de adaptação e o reflorestamento.

"Com base nessas áreas setoriais, tentaremos construir para que sejamos capazes de ir adiante de um modo muito mais abrangente", disse o sul-coreano. "Acima de tudo, devemos sanar a lacuna na confiança entre países desenvolvidos e em desenvolvimento."

Divergências entre países ricos e pobres sobre as obrigações de cada parte foram o principal obstáculo à conclusão do acordo em Copenhague. Na conferência do ano passado, os países se limitaram a uma declaração com a meta de limitar o aquecimento global a uma média de 2 graus Celsius, mas sem explicar como.

Muitos países ricos e algumas grandes nações em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, admitem que um tratado juridicamente vinculante terá de esperar, talvez até uma reunião de 2011 na África do Sul.

A pedido dos participantes do Protocolo de Kyoto, a agência climática da ONU detalhou no mês passado planos de contingência para a eventualidade de não surgir um tratado para sucedê-lo. Entre as possibilidades está a redução do número mínimo de países necessários para aprovar novas metas -- hoje é de 143, ou três quartos dos participantes -- e a prorrogação das metas atuais para 2013 ou 2014.

As metas de redução de emissões de gases do efeito estufa estipuladas no Protocolo de Kyoto valem apenas para países desenvolvidos, que acham que os países em desenvolvimento também deveriam ter suas próprias metas de cumprimento obrigatório.

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