REUTERS/Ueslei Marcelino
REUTERS/Ueslei Marcelino

Chapada dos Veadeiros começa a se recuperar após incêndio

Oito meses depois do pior incêndio da sua história, que destruiu cerca de 30% de sua área, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, um dos maiores símbolos do Cerrado, dá sinais de recuperação

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 03h00

Correções: 22/06/2018 | 17h52

SÃO PAULO - Oito meses depois do pior incêndio da sua história, que destruiu cerca de 30% de sua área, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, um dos maiores símbolos do Cerrado, dá sinais de recuperação e se prepara para lançar novos atrativos, ao mesmo tempo em que passa pela concessão de serviços para a iniciativa privada a fim de incentivar o turismo.

+++ Desmatamento no Cerrado recua, mas em 7 anos é 60% maior que perda da Amazônia

Com suspeita de ter origem criminosa –  apenas alguns meses depois de o parque ter passado por uma ampliação que triplicou sua área –  o fogo acabou atraindo o apoio da sociedade. "O parque saiu fortalecido na sua relação com a sociedade. Recebemos um apoio muito grande durante o incêndio e isso continuou depois, inclusive com apoio financeiro que estamos usando até hoje", conta Fernando Tatagiba, diretor do parque, gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

+ Para lembrar: Na Chapada dos Veadeiros, angústia de gente e de bichos

Esse apoio já se transformou em maior segurança contra eventuais novos incêndios. Da equipe fixa de 36 brigadistas, 8 foram contratados num novo regime de dois anos, renovável por mais um. E mais de cem pessoas das comunidades do entorno vem passando por uma formação para atuarem na prevenção e no combate ao fogo. "É gente das comunidades da região, que, ao receber o certificado do ICMBio de brigadista voluntário, poderá atuar na proteção dentro do parque e aos seus imóveis", diz. "Hoje contamos com mais gente preparada e da própria região."

Segundo ele, a vegetação começa a dar sinais de recuperação. "A regeneração ocorre de maneiras diferentes. Nas fisionomias mais abertas, nos campos nativos do Cerrado, que são a paisagem predominante aqui, para um olhar leigo quase não se percebe a passagem do fogo. Está exuberante", afirma. 

+++ Acusações marcam apuração sobre causas do fogo

"Mas quando levamos o olhar para a beira dos rios, onde ficam as vegetações mais florestais – como as matas de galeria –, e para as veredas, ainda observamos a vegetação sofrendo para se regenerar", diz.

Concessão

O parque já retomou a visitação normal e tem a expectativa de ampliá-la com a concessão. A ideia é oferecer para a iniciativa privada os serviços de venda de ingresso, loja de souvenirs, lanchonete, quiosque de alimentação próximo às cachoeiras, área de camping e transporte interno.

Em julho, será aberta a área conhecida como carrossel, que tem cachoeira, parede de escalada, mirante e trilha suspensa. "E contará com uma interpretação geológica do local. Ali há rochas com 1,5 bilhão de anos, muito antes de a América e a África se separarem, e que apresentam marca de ondinhas onde chegava o mar", conta.

Correções
22/06/2018 | 17h52

Ao contrário do informado anteriormente, da equipe fixa de 36 brigadistas, somente 8 foram contratados num novo regime de dois anos, renovável por mais um.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.