Cetesb impede entrada de caminhões de leite de MG em SP

Antes de a Cetesb intervir, 49 mil litros já haviam passado pela estação de esgoto da cidade de Franca

Brás Henrique, Agência Estado

29 de outubro de 2007 | 19h51

A Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) não permitiu que três caminhões, carregando cada 9 mil litros de leite vencido e possivelmente adulterado, chegassem a Franca (SP). O produto, que estava interditado na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), de Passos (MG), foi barrado na divisa entre os Estados.   O descarte do leite poderia ser um risco para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), da Sabesp, de Franca, na região de Ribeirão Preto, segundo a agência ambiental paulista.   Segundo o gerente da agência da Cetesb em Franca, Francisco Roberto Setti, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (de Minas) deveria pedir a autorização ao órgão paulista para tratar e descartar o leite, mas isso não ocorreu. Em São Paulo é preciso a emissão do Certificado de Aproveitamento e Destinação de Resíduo Industrial (Cadri). "Como não tinha autorização, a transferência foi suspensa", disse Setti, que comunicou à Sabesp o risco para a ETE.   "Pode ter uma queda na eficiência do sistema ou até uma fermentação ácida, pois não sabemos o que tem nesse leite, que pode contaminar o lodo produzido, que é um resíduo orgânico autorizado para uso em lavouras, inclusive de café", explicou Setti.   A ETE francana é para esgoto doméstico, que é mais diluído que o leite. "Vamos ver se não houve algum impacto com o leite tratado no domingo", quando outro lote havia chegado à cidade, emendou ele. Se ocorrer algum problema, a Sabesp poderá ser autuada.   A junta interventora da Casmil, que desconhecia a necessidade de autorização ambiental entre os Estados, fez a transferência de emergência de 49 mil litros de leite no domingo. A cooperativa, segundo a assessoria de imprensa, tinha o interesse em descartar com rapidez o leite cru suspeito de adulteração - independente da fraude, pois o leite estava a mais de 72 horas e já impróprio para ser comercializado. A Casmil precisa do tanque livre para voltar à sua produção normal.   Para o gerente do Departamento Industrial da Sabesp de Franca, Rui Engracia, a ETE é uma referência na região para qualquer descarte de efluente líquido. "Sempre é aqui", comentou Engracia, que não acredita em punição por já ter tratado os 49 mil litros.

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