Carta pede a líderes maior ambição no acordo sobre o clima

Documento é assinado por mais de mil ONGs e personalidades como Bill Gates e Malala Yousafzai

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2015 | 20h39

Líderes dos 195 países das Nações Unidas, entre os quais a presidente Dilma Rousseff, recebem nesta quinta-feira, 15, uma carta assinada por mais de mil organizações não-governamentais e personalidades com o pedido de maior ambição da costura dos acordos sobre desenvolvimento sustentável e sobre mudança climática. Ambas as negociações têm prazo de conclusão neste ano. A conclusão dos acordos resultará na redução de 1 bilhão para 360 milhões a população mundial sujeita à pobreza extrema até 2030, nos cálculos da Universidade de Denver. O fracasso, porém, deverá provocar o aumento desse contingente para 1,2 bilhão de pessoas.

A iniciativa faz parte da campanha Action/2015, que no Brasil está representada pela Fundação Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). Além de Dilma Rousseff, receberão a carta os líderes dos países com maior poder de travar ou de impulsionar a conclusão de ambos os acordos: Barack Obama, dos Estados Unidos, Xi Jinping, da China, Pranab Mukherjee, da Índia, David Cameron, do Reino Unido, e François Hollande, da França. 

Entre as personalidades que pressionam os governantes estão o casal Bill e Melinda Gates, que conduzem a Microsoft e uma fundação de amplitude mundial, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz de 2014, o economista Jeffrey Sachs, a rainha da Jordânia, Rania Al Abdullah, os atores Wagner Moura, Matt Damon e Hugh Jackman, o cineasta brasileiro José Padilha e os músicos Bono e Dbanj.

"Se a situação (de pobreza e de aquecimento global) não mudar, tememos que você e seus colegas vão conduzir o mundo a um de seus maiores fracassos da história recente. Não é tarde para agir. Pedimos sua ajuda para liderar esta mudança", diz o texto da carta aos chefes de governo. "Vamos ser claros: as ações que tomaremos em 2015 decidirão o rumo do mundo nas próximas décadas. Por favor, tome o caminho correto."

A Reunião de Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável, em setembro nas Nações Unidas, deverá definir as metas de redução de pobreza e da desigualdade social para as próximas décadas. Esse encontro marcará o fim do prazo de cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, de 1990, que impôs 22 metas aos países signatários, entre as quais a redução pela metade da população sujeita à extrema pobreza até 2015. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, pretende engajar os países em novas metas em defesa dos direitos das mulheres, de jovens e de grupos marginalizados e também dos recursos do planeta.

A 21ª Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP21), marcada para novembro em Paris, deverá definir os compromissos de redução das emissões dos gases do efeito estufa para as próximas décadas. A iniciativa vai exigir dessas nações a mudança de matriz energética e de processos produtivos, além do combate ao desmatamento e de ações para prevenir e reduzir os efeitos das mudanças climáticas já em curso. As medidas acordadas devem evitar que a temperatura do planeta aumente em mais de 2ºC até o final do século, em relação à de 1750.

Observadores e negociadores, porém, têm sido pouco otimistas em relação ao sucesso dessas duas iniciativas. Para manter sua pressão ao longo do ano, a Action2015 vai conduzir atividades de sensibilização com jovens de 15 anos em mais de 50 países. No Brasil, a Fundação Abrinq pretende organizar um evento com presença da presidente Dilma Rousseff ainda neste mês. Eventos similares estão previstos nas Nações Unidas, na Bolívia, na Costa Rica, na Nigéria, na Noruega, na Índia, no Reino Unido e na Tanzânia e em Uganda. 

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