Carros elétricos se destacam no Salão de Detroit

Até o final do ano, carros elétricos e híbridos devem estar chegando ao mercado

The Guardian

22 Janeiro 2010 | 21h32

Carros elétricos são uma bandeira do movimento verde que finalmente está saindo do papel. O Salão Internacional de Automóveis de Detroit é o maior evento anual dedicado à indústria automobilística nos EUA, no qual os novos modelos vêm sempre apresentados com o auxílio de garotas bonitas, música e gelo seco.

 

Os poucos carros elétricos que chegaram tão longe assim costumavam ser peças de mostruário apenas. Mas este ano, a situação mudou. Assistimos a uma corrida de marketing de carros verdes e muito em breve você, leitor, poderá comprar os veículos elétricos que vimos em Detroit na última semana.

 

O salão apresentou um veículo híbrido após o outro. Embora o único carro desse tipo disponível no mercado hoje seja o Tesla Roadster (de US$ 109 mil), até o final de 2010 ele terá concorrentes como o Nissan Leaf, o Coda sedan e o Think City.

 

Realmente, toda a indústria automobilística – dos gigantes como Ford, GM, Renault-Nissan até iniciantes como a Fisker – juntaram-se ao movimento para produzir e vender carros elétricos a preços acessíveis.

 

 Há uma razão para a indústria automobilística de Detroit estar finalmente disposta a produzi-los em escala que vai além de meros testes. Há uma confluência histórica de acontecimentos. Entre eles, as iniciativas “verdes” do governo Obama, incluindo o Departamento de Energia (DOE), incentivos e estímulos econômicos que prevêem US$ 30 bilhões para programas de energia verde, descontos de impostos para empresas que investirem no desenvolvimento de baterias avançadas e US$ 2,4 bilhões em subvenções para acelerar a adoção de novas baterias (muito desse dinheiro está indo para Michigan que, apesar do recorde de desemprego, está se sobressaindo como um pólo de “empregos verdes”).

 

Outros fatores por trás do empurrão que a produção de veículos elétricos está ganhando são um mandado federal para a melhora da eficiência dos combustíveis a uma média de 35,5 milhas por galão até 2016, preocupações sobre o aquecimento global e a diminuição dos estoques de petróleo e a expectativa de produzir baterias melhores com tecnologia de ponta.

 

Mesmo sem a generosidade do governo, algumas companhias estão entrando agressivamente no mercado de veículos elétricos. Um exemplo: a Coda Automotive, na Califórnia, levantou US$ 74 milhões em três rodadas de um fundo privado. O CEO e presidente da empresa, Kevin Czinger é um executivo do Goldman & Sachs, assim como seu vice, Steven Heller. Entre os investidores da companhia estão Henry M. Paulson, que foi Secretário do tesouro do segundo mandato de Bush. Claramente, a opinião desses investidores a respeito dos carros elétricos mudou para melhor...

 

Um fator chave para tornar os carros elétricos possíveis é o rápido desenvolvimento das baterias de litium. William Clay Ford Jr, o presidente da companhia que leva seu nome, disse em Detroit: “Cinco anos atrás, o desenvolvimento das baterias tinha chegado a um impasse, e estávamos apostando pesado no hidrogênio. Mas agora tanto dinheiro e energia e inteligência foram desviados para a eletricidade que estamos começando a ver melhoras significantes nas baterias de uma forma que não imaginávamos. Agora, temos a confiança de que o consumidor poderá ter uma boa experiência com as baterias”.

 

Entre uma multidão de curiosos, o presidente da Tesla Motors, Elon Musk, mostrou ao público o milésimo carro elétrico da companhia. “Para uma companhia pequena, é um passo gigante”, disse ele. “Um ano atrás nós construímos apenas 150 carros. Tínhamos duas lojas naquela ocasião, agora, são 12”.

 

Para um produtor maior, mil carros não seriam muita coisa para mostrar como resultado do trabalho de um ano, mas os veículos elétricos ainda estão engatinhando. E desde a primeira experiência com carros elétricos, nos anos 20 – quando a distribuição do petróleo permitiu a era dos veículos movidos a gasolina – pouquíssimas companhias atingiram a marca de produção de mil veículos ‘verdes”, sobretudo movidos a bateria.

 

Aqui vai uma vista parcial de alguns dos primeiros concorrentes movidos à bateria e híbridos do mercado:

 

* Renault-Nissan Alliance. Tem autonomia de 100 milhas. A Nissan não está somente preparando sua entrada nesse mercado, mas está também produzindo um carregador em parceria com a Aero Vironment. Além disso, está investindo em postos de recarga públicos, ao lado do governo local, estadual e federal. Carlos Ghosn, chefe da Ranault- Nissan, prevê que os carros elétricos deverão constituir 10% das vendas mundiais de carros daqui a dez anos.

 

* Ford Motor Company. A estratégia verde da Ford inclui uma versão elétrica do Focus para 2011 e um híbrido da última geração – baseado em sua plataforma automotiva compacta, chamada de plataforma C – para 2012. A companhia anunciou em Detroit que irá investir US$ 450 milhões em Michigan, como parte de sua estratégia de eletrificação.

 

* General Motors. A grande novidade da GM é o Chevrolet Volt, que definitivamente tem ajudado a manter a imagem da companhia. O Volt, que usa um pequeno mecanismo a gás para gerar eletricidade para seu motor elétrico, é muito divertido de dirigir. Até agora, a GM vinha tropeçando em sua iniciativa com veículo híbrido e ela realmente precisa fazer do Volt um sucesso. O modelo deverá estar à venda no final do ano, por cerca de US$ 40 mil.

 

* Tesla Motors. Esta empresa californiana chegou ao topo do mercado com o híbrido Roadster, que combina um lay-out “sexy” com um desempenho impressionante (vai de 0 a 60 km em 3,9 segundos). A estratégia da companhia é usar suas vendas de carros de alta performance para investir em um veículo de massa totalmente elétrico – o Modelo S, um sedan. A empresa já procura um local para instalar sua primeira fábrica dos Modelos S.

 

* Fisker Automotive. Talvez seja o competidor mais próximo da Tesla. O CEO da empresa, o designer automobilístico Henrik Fisker, está se preparando para o debut de um híbrido de alta performance (que vai de 0 a 60 km em 5,8 segundos), conhecido como Karma, no final do ano. Al Gore está na lista de espera do carango. Fisker também tem um carro de custo mais baixo nas mangas, chamado por enquanto de projeto Nina.

 

* Coda Automotive. Esta companhia iniciante irá comercializar, até o final do ano, um pequeno sedan movido a baterias produzidas por sua própria joint-venture na China. O carro é inspirado no Saibao, um carro chinês, mas movido a eletricidade. A Coda irá lançá-lo com uma campanha pela internet somente na Califórnia, mas terá capacidade para produzir 20 mil carros por ano.

 

* Think Global. A empresa é uma sobrevivente, talvez tenha a história mais interessante entre os produtores de “carros verdes”. É uma companhia norueguesa que atraiu os investimentos das Ford no final da década de 1990 com seu carro feito de plástico, um veículo próprio para rodar a cidade. A Ford vendeu a companhia em 2003 e ela entrou em processo de falência no final de 2008. Mas conseguiu se reerguer com a venda de parte de suas ações para a Ener1, uma empresa que produz baterias. Os veículos elétricos da Think começarão e ser produzidos em 2011. O Think City, de dois assentos e autonomia de 100 milhas com baterias de litium, será vendido por menos de US$ 20.

 

A lista dos players no mercado de carros verdes não para aqui. A Toyota está produzindo híbridos e a Chrysler tem um projeto ambicioso de um carro elétrico que está interrompido temporariamente por conta dos percalços que a empresa vem enfrentando com a crise.A Honda continua lançando carros híbridos, incluindo o novo CR-Z, de dois assentos, mostrado em Detroit.

 

A BMW  eletrificou o Mini para fazer testes. E a Audi mostrou um súbito interesse nesse segmento.

 

No ano que vem, neste mesmo período, os carros elétricos não estarão apenas nos salões de automóveis, mas estarão chegando às lojas finalmente.

 

Com informações do The Guardian.

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