Carbono zero virou obrigação
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Carbono zero virou obrigação

Grandes empresas que ainda não assumiram metas de descarbonização estão perdendo oportunidades e correndo riscos

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2022 | 00h01

As metas corporativas de carbono zero rapidamente ganharam um novo status: não são mais vistas como uma iniciativa que destaca a empresa no mercado, e sim como um compromisso obrigatório. “Não dá mais para as empresas não terem metas de descarbonização. E, falando de grandes corporações, é preciso ir além e ter essas metas que consideram a cadeia como um todo. Não vale mais ter meta de descarbonização somente para as operações próprias”, diz Carlo Pereira, diretor executivo no Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU). 

A rede brasileira do Pacto Global ultrapassou a marca de 1.500 signatários e é a que mais cresce no mundo. Trata-se de um movimento que vem ganhando adesão no País porque envolve, em primeiro lugar, a crescente percepção de uma série de oportunidades. São cada vez mais amplas as evidências de que os ganhos com a descarbonização dos negócios vão além do aspecto ambiental e podem influenciar positivamente as finanças corporativas – empresas bem avaliadas por ações sustentáveis têm acesso a crédito mais barato, por exemplo. 

Além do mais, uma estratégia de sustentabilidade sólida ajuda a evitar riscos de reputação e dificuldades relacionadas diretamente aos negócios. “O setor empresarial está mais atento e responsivo às exigências dos consumidores e investidores e aos chamados riscos de transição, como regulações mais restritivas no futuro para as emissões, transformações tecnológicas e perda de competitividade”, avalia Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Com 25 anos de existência, a instituição viu o número de associadas saltar de 60 para 93 só nos últimos dois anos.

O CEBDS tem se esforçado para engajar as empresas nessa jornada. Está construindo a plataforma net zero, projeto que será lançado ainda este ano com o propósito de promover a troca de experiências, a identificação dos desafios comuns e a construção das soluções. “Será um centro de conhecimento e de capacitação para alavancar as melhores práticas do setor empresarial”, diz Marina Grossi. 

O Pacto Global acaba de lançar o projeto Ambição 2030 para fomentar não apenas metas ambientais, mas também aquelas relacionadas aos outros dois pilares que compõem a sigla ESG, o social e o de governança, diretamente ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). Faz parte do projeto a plataforma Observatório 2030, que tem a missão de monitorar os compromissos públicos assumidos pelas corporações. “As empresas são parte do problema, mas, juntas, são também parte da solução”, diz Carlo Pereira.

Florestas em pé contribuem para meta

O CDP, organização sem fins lucrativos que administra o maior sistema de divulgação ambiental do mundo, fez um estudo aprofundado sobre os caminhos que a economia brasileira deve seguir para viabilizar um país neutro em gases do efeito estufa até 2050. O maior potencial de reduções absolutas está no setor internacionalmente conhecido pela sigla Afolu (Agropecuária, Floresta e Outros Usos do Solo), a partir da recuperação de pastagens, conservação de áreas naturais e aumento de sistemas integrados ou agroflorestais.

Várias empresas brasileiras desse setor têm respondido a essa expectativa e vêm assumindo metas net zero. É o caso da JBS, uma das maiores produtoras de alimentos do mundo, que se comprometeu a zerar o balanço das emissões de gases causadores do efeito estufa até 2040. O projeto envolve investimentos, ao longo da próxima década, de US$ 100 milhões em pesquisas e US$ 1 bilhão em projetos de redução das emissões.

Nos projetos de carbono zero, toda emissão que não for zerada precisa ser compensada por emissões negativas. Manter as florestas em pé é um dos caminhos para isso. Produtora de óleo de palma no Pará, a Agropalma mantém 64 mil hectares de área de reserva na Floresta Amazônica, quase o dobro da área destinada ao cultivo. “A preservação do ecossistema legal é uma obrigação da Agropalma, pois traz diversos benefícios para a sociedade em geral, como a conservação da biodiversidade, a estabilidade climática e o desenvolvimento científico”, diz Tulio Dias, diretor de Sustentabilidade da empresa.

Mudanças estruturais

O Brasil precisa alcançar quatro grandes metas para se tornar net zero até 2050

Evitar que 21 bilhões de toneladas de CO2 sejam lançadas na atmosfera. 

Chegar a 79,5% das emissões de gases do efeito estufa (GEE) compensadas pelo setor Afolu (Agropecuária, Floresta e Outros Usos do Solo).

O setor energético deve alcançar emissões negativas após 2035. 

O setor de transportes deve reduzir suas emissões em 36%, de 2020 a 2050.

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