Canadá põe bisfenol A na lista de substâncias tóxicas

Substância é empregada numa variedade de produtos, de mamadeiras a revestimentos de latinhas de alumínio

Reuters,

14 Outubro 2010 | 17h48

O Canadá se tornou esta semana o primeiro país a colocar na lista de substâncias tóxicas o bisfenol A (BPA), abrindo caminho para limitar severamente o uso desse composto químico. Utilizado há décadas para dar mais rigidez aos plásticos, o BPA é empregado numa variedade de produtos, de mamadeiras a revestimentos de latinhas de alumínio.

 

“Temos indicações científicas de que o bisfenol A pode ser prejudicial tanto à saúde humana quanto ao ambiente”, disse a ministra da Saúde, Leona Aglukkaq. A principal preocupação quanto ao efeito do BPA na saúde diz respeito à sua ação sobre o sistema endocrinológico, que pode afetar o desenvolvimento, especialmente de crianças pequenas. Um estudo recente do governo mostrou que o composto está presente no organismo de 91% dos canadenses.

 

Diretor executivo da entidade Environmental Defence, que faz lobby pelo proibição do uso do BPA, o ambientalista Rick Smith elogiou o Canadá por liderar a ofensiva contra o bisfenol A. O governo divulgou as primeiras medidas para controlar o uso do composto em 2008 e este ano, em março, baniu mamadeiras que usam o composto.

 

Segundo Smith, antes do anúncio da ministra, havia a expectativa de proibição do uso do composto no revestimento de alimentos infantis enlatados. Agora ele acredita que o governo pode limitar até as emissões de BPA na atmosfera. “Pela contundência das conclusões da análise de risco feita pelo governo, é de se esperar que sejam adotem medidas adicionais rapidamente”, disse.

 

Apesar disso, grupos da indústria argumentam que outras pesquisas não chegaram a nenhuma conclusão sobre a toxicidade do BPA para seres humanos. O American Chemistry Council (AAC) disse que a decisão de declarar o bisfenol A tóxico contradiz achados do próprio Ministério da Saúde canadense. Segundo a entidade, estudos comprovam que o composto não se acumula no organismo.

 

“Apenas dias depois de a European Food Safety Authority (agência europeia responsável pela qualidade dos alimentos) ter mais uma vez confirmado que o BPA é seguro para uso em materiais que ficam em contato com a comida, o anúncio do Canadá contraria evidências científicas e vai confundir e alarmar desnecessariamente o público”, disse Steven Hentges, representante da AAC.

 

Em 30 de setembro, a agência europeia anunciou que não vê necessidade de baixar o limite oficial de exposição aceitável ao BPA. A decisão contrariou a mobilização de um grupo de cientistas e entidades de saúde contra o risco potencial do bisfenol A.

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