Campeão de desmatamento, MT comemora números do Inpe

'Nós não vamos parar enquanto uma árvore estiver sendo derrubada', disse secretário de Meio Ambiente

Nelson Francisco, Agência Estado

15 de julho de 2008 | 17h10

 O secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema), Luiz Henrique Daldegan, avaliou como positiva a redução de 19% dos índices de desmatamento no mês de maio no Estado, conforme dados divulgados nesta terça-feira, 15, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).   Veja também: Veja o relatório divulgado nesta terça-feira (PDF) Novos dados de desmatamento não são ruins, diz Minc Atraso nos dados de desmatamento se deve à Casa Civil, diz Minc  Acompanhe a trajetória do desmatamento na Amazônia   Especial: Amazônia     Segundo ele, as ações de fiscalização, campanhas de conscientização, embargos de propriedades desmatadas ilegalmente, e aplicação de multas, contribuíram conter a devastação. "Nós não vamos parar enquanto uma árvore estiver sendo derrubada", afirmou Daldegan.   De acordo com o Inpe, Mato Grosso liderou os índices de áreas devastadas em maio. Já o Pará ficou em segundo lugar, com aproximadamente 260 km². O Inpe destaca ainda, que em Mato Grosso, a visualização por satélites foi total. No Pará, as nuvens impediram a cobertura de quase 60% do Estado. No total, o desmatamento na Amazônia em maio equivale à área do tamanho da cidade do Rio de Janeiro.   Em Mato Grosso, a Sema intensificou a fiscalização para punir os desmatamentos ilegais. Este ano, 12 propriedades, o equivalente a 15 mil hectares foram embargadas pela prática de crimes ambientais.   Relatório   Meses depois de adotar uma série de medidas para ampliar a proteção da Amazônia e evitar o desmatamento na área os reflexos ainda não podem ser sentidos. A conclusão pode ser tirada depois da divulgação, nesta terça-feira, 15, de um relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mostra que, em maio deste ano, 1.096 km² foram desmatados na região. O relatório de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) ficou quase dois meses 'confiscado' no Ministério da Casa Civil, onde passou por uma revisão.   O número revela uma variação quase nula se comparada com os números de abril, últimos a serem divulgados - foram 1.122 km² desmatados.    Em maio, no entanto, a área que pôde ser vista pelo sistema Deter foi maior, já que 46% da área monitorada estava coberta por nuvens, contra 53% em abril.   Assim como no levantamento anterior, Mato Grosso foi o campeão de desmatamento na Amazônia Legal. Desta vez, no entanto, o Estado registrou queda de 19% na área desmatada: 794 quilômetros quadrados em abril contra 646 quilômetros quadrados em maio.   Já o Pará viu sua área desmatada saltar de 1,3 quilômetro quadrado, em abril, para 262 quilômetros quadrados em maio. Com isso, o Estado assumiu o segundo posto no ranking de desmatamento da Amazônia, deixando para trás Roraima, vice-campeã do desflorestamento em abril e que, em maio, registrou desmatamento de 97,9 quilômetros quadrados.   O Maranhão foi o quarto Estado que mais desmatou em maio, seguido de Amazonas, Acre e Tocantins.   Entre as medidas adotadas pelo governo para conter o desmatamento na Amazônia, depois de uma série de elevações na área devastada registarda desde o final de 2007, está a limitação de crédito agrícola para desmatadores, além de anistia para desmatadores que voltarem a reflorestar a área.   A qualificação dos dados do Deter de maio foi realizada utilizando como referência um conjunto de 18 cenas do sensor de satélite TM/Landsat, a maioria do final do mês de junho ou início de julho de 2008, localizadas no Estado do Mato Grosso, Pará, Amazonas e Rondônia.   Foram avaliados 241 alertas, os chamados polígonos de desmatamento, representando 544 quilômetros quadrados, ou 49,6% da área total dos polígonos indicados pelo Deter no mês de maio. Do total avaliado, 88,3% da área dos alertas foi confirmada como desmatamento e 11,7% não apresentou indícios de desmatamento e foi contabilizada como não confirmada.   As áreas classificadas como floresta degradada de alta intensidade representaram 23% da área de alerta, e as de intensidade moderada e leve totalizaram 6%, demonstrando que estágios iniciais e intermediários de degradação não são detectados com a mesm eficiência pelos satélites.   (Com Gustavo Miranda, do estadao.com.br e reuters)

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