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'Caminhar é o meio de transporte mais utilizado em São Paulo', diz especialista

Idealizadora do movimento SampaPé fala sobre dificuldades enfrentadas pelos pedestres na cidade e o que deve melhorar na mobilidade do caminhar

Juliana Tiraboschi, Especial para o Estado

18 Outubro 2017 | 17h46

Durante a faculdade de administração, em 2010, Letícia Sabino passou seis meses fazendo intercâmbio na Cidade do México. Na época uma dependente de carro, que passava até três horas do dia no trânsito, Letícia passou a usar ônibus e andar a pé para se deslocar na capital mexicana. 

“Passei a ter uma relação muito mais próxima, eu conhecia toda a Cidade do México, conversava com os vendedores...voltei apaixonada pela cidade”, diz. Quando voltou para o Brasil, Letícia deixou de usar carro, passou a caminhar mais e usar mais transporte público e, no mesmo ano, começou o movimento SampaPé, que propõe pensar a mobilidade urbana a partir do ponto de vista do pedestre.

A administradora começou a perceber a importância de desenvolver uma relação mais afetiva com a cidade e pensar na mobilidade do ponto de vista da qualidade do deslocamento, não apenas do aspecto do tempo gasto. Para Letícia, é possível transformar o tempo perdido no deslocamento feito em automóveis por um ganho: em relações, em conhecimento da cidade, em sustentabilidade e em uma maneira diferente de usar esse tempo, por exemplo lendo livros dentro dos ônibus e metrôs.

Segundo uma pesquisa do Metrô de São Paulo de 2012, 30% dos deslocamentos diários são feitos exclusivamente a pé. “É o meio de transporte mais utilizado na cidade”, diz Letícia. “Fomos percebendo que nosso movimento não é só tirar as pessoas do carro, mas melhorar a experiência de quem já caminha”, afirma.

Segundo a administradora, um grande exemplo da atuação do grupo SampaPé foi o movimento feito junto com outra ONG, a Minha Sampa, pela abertura da Avenida Paulista aos domingos. 

O grupo também promove caminhadas para despertar a curiosidade dos cidadãos pelo hábito de andar a pé, e realiza a ação “Sentindo nos Pés”, que convida autoridades, como prefeitos regionais e o secretário de transportes, a caminharem com o SampaPé para perceberem as dificuldades enfrentadas pelos pedestres nas ruas de São Paulo. 

Para Letícia, além dos obstáculos óbvios, como calçadas esburacadas, semáforos inadequados, falta de arborização, insegurança, iluminação deficitária etc, falta também dados concretos sobre o deslocamento a pé e um mapeamento das vidas mais utilizadas. A partir dessa inteligência seria possível planejar melhor as políticas públicas de mobilidade dos pedestres na cidade. 

Confira a entrevista completa com Letícia Sabino.

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