Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Calor no Sudeste subiu acima da média mundial em 2014

Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontam que os últimos 14 anos estão entre os 15 mais quentes da história

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2015 | 07h16

GENEBRA - O início do século XXI é o período mais quente já registrado na história e o, no futuro, calor vai só aumentar, inclusive no Brasil. Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontam que 2014 foi o ano mais quente jamais identificado. Mas alertam que é a tendência que mais preocupa: dos 15 anos com as temperaturas mais elevadas da história, 14 ocorreram desde 2000. 

No Brasil,o Sudeste registrou no ano passado temperaturas de 1 a 2 graus Celsius superior à média entre os anos 1961 e 1990. O aumento ficou acima da elevação das temperaturas no restante do mundo. Os dados da OMM confirmam o que a Nasa já havia antecipado, há duas semanas, apontando 2014 como o ano mais quente. Mas, segundo a entidade internacional ligada à ONU, 2014 é apenas "parte de uma tendência maior" e alerta que o pior ainda está por vir. 

"A tendência de aquecimento é mais importante que o ranking individual de cada ano", alertou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud. "Nossas análises apontam que 2014 foi o ano mais quente já registrado nominalmente. Mas a realidade é que a diferença entre os últimos três anos foram muito pequenas e todos esses anos estão entre os mais quentes", alertou. 

Para a entidade, o que lança um alerta é como a temperatura mundial tem se comportando desde o início do atual século. "14 dos 15 anos mais quentes ocorreram todos neste século", indicou Jarraud. O único ano fora do século XXI que entrou na lista dos mais quentes foi o de 1998, às vésperas do novo século. 

Mais quente. Os especialistas ainda fazem um outro alerta: as temperaturas vão continuar subindo nos próximos anos. "Nossa expectativa é de que o aquecimento global continue", alertou Jarraud. Para ele, a causa disso é a concentração cada vez maior de gases de efeito estufa na atmosfera, apesar de todos os esforços internacionais. "Isso nos está nos comprometendo a um futuro mais quente", indicou.  

Uma das principais consequências dessa concentração de CO2 tem sido a elevação das temperaturas dos oceanos. Em 2014, elas atingiram um nível recorde. Pelos dados compilados lela OMM, a média da temperatura da superfície mundial em 2014 foi 0.57 °C acima da média de longo prazo, estimada entre 1961 e 1990 e de 14.00°C. O período de 30 anos é usado como referência para os especialistas.

Segundo a agência da ONU, as temperaturas de 2014 ficaram muito próximas as de 2010, quando a média foi 0,55 °C acima dos dados do período entre 1961 e 1990. "Em 2014, o calor recorde combinado com chuvas torrenciais, inundações em alguns lugares e secas em outros é um cenário consistente com as expectativas de uma mudança climática", explicou Jarraud.

Brasil. Sobre as temperaturas registradas no Brasil, os dados amostrados apontam que uma importante área do País teve "anomalias" de cerca de 0,5 a 1 grau Celsius acima da média entre 1961 e 1990. Isso inclui o Nordeste e o Norte. No Sudeste, porém, as "anomalias" foram mais profundas, com uma alta que chegou a ser de 2 graus acima da média histórica.  Na parte Sul Oceano Atlântico, na costa argentina, as anomalias foram de 3 a 5 graus superior. 

Segundo os especialistas, o que surpreende é que as temperaturas elevadas de 2014 ocorreram "na ausência de um El Nino totalmente desenvolvido". A OMM aponta que, no ano de 1998 quando as temperaturas também foram elevadas, o El Nino teve "grande influência". 

Para a OMM, 2014 é a "prova" de que serviços climáticos são mais necessários que nunca nos países. Isso tanto para evitar desastres naturais como para permitir que a comunidade possa se adaptar de forma rápida às mudanças. Segundo a agência, não resta dúvidas de que alguns locais ficarão menos adequados para a vida das comunidades.

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