Calor na Rússia afasta ideia de benefício com mudança climática

A forte onda de calor no verão russo alterou as perspectivas de que países do norte do hemisfério poderiam "ganhar" com mudanças climáticas, obtendo vantagens como o prolongamento da estação do plantio ou número menor de mortes causadas por invernos rigorosos, disseram especialistas.

ALISTER DOYLE, REUTERS

20 de agosto de 2010 | 13h20

O Canadá, países nórdicos, e a Rússia vinham sendo listados entre as poucas nações de clima frio que se beneficiariam com o aquecimento global. Entre as vantagens, estariam menos gastos com aquecimento durante o inverno, mais florestas e lavouras e, talvez, mais turismo de verão.

O presidente Dmitry Medvedev atribuiu a forte onde de calor, de dois meses de duração, a mudanças climáticas, apesar de muitos especialistas dizerem ser impossível relacionar climas de uma determinada área com mudanças climáticas.

"Como consequência disso, deverá haver uma consciência maior de que muitos perigos surgem com a mudança do clima", disse Kevin Trenberth, chefe do setor de análise de climas do National Center for Atmospheric Research, em Boulder, nos Estados Unidos.

"Não é questão de uma mudança benigna, propiciando uma estação mais longa de plantio nas nações do norte", disse ele.

A onda de calor na Rússia dobrou a taxa de mortalidade em Moscou, arruinou um quarto da colheita de grãos do país e poderá levar à perda de 14 bilhões de dólares do Produto Interno Bruto do país.

Muitas pessoas nos países nórdicos e no Canadá estão mais preocupadas com os efeitos colaterais nocivos da redução do clima frio, incluindo o risco de pragas de insetos para as lavouras e florestas, normalmente afastados pelas geadas de inverno. Mas essa crença é menos disseminada na Rússia, onde o primeiro-ministro Vladimir Putin fez no passado declarações sobre os benefícios do aquecimento global.

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