Nicolas Tucat/AFP
Nicolas Tucat/AFP

Cacique Raoni recebe alta após internação por covid-19

Líder do povo Kayapó estava internado em hospital no Mato Grosso com sintomas de pneumonia e diagnóstico do novo coronavírus

Marcela Coelho, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 18h45

Líder do povo Kayapó, o cacique Raoni, com idade estimada de 89 anos, recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira, 4, após internação por covid-19. "Com imensa alegria, comunicamos a alta hospitalar do Cacique Raoni. Agradecemos imensamente a todos pelas mensagens de carinho e pensamentos positivos. O cacique Raoni venceu a covid-19", informou o Instituto Raoni em seu perfil do Facebook.

Na última sexta-feira, 28, o cacique foi internado no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a cerca de 470 km de Cuiabá (MT), depois de ser avaliado com diagnóstico de pneumonia pela equipe médica de sua aldeia, localizada no Parque Indígena do Xingu.

Inicialmente, ele passou por exames laboratoriais e de imagem que indicaram covid-19, já na fase inflamatória da doença. Raoni foi tratado com anticoagulantes, antibióticos, corticoides e fisioterapia respiratória, segundo boletins médicos. Exames laboratoriais divulgados na quinta-feira, 3, indicaram evolução no quadro clínico.

 

No mês passado, o líder indígena também necessitou de cuidado hospitalar. Ele foi internado com anemia severa e hemorragia digestiva após apresentar sintomas de desidratação, úlceras gástricas e inflamação no cólon. Em junho, Raoni perdeu a mulher, Bekwyjkà Metuktire, e, desde então, passou a apresentar um quadro depressivo.

Raoni é a maior liderança indígena no País

Reconhecido internacionalmente por lutar pelos povos indígenas, o cacique ganhou notoriedade no fim da década de 1980. Em 1989, ele conheceu o músico britânico Sting, que também passou a se engajar na causa ecológica e na luta pela demarcação das terras indígenas no Xingu. A parceria levou à criação da entidade Rainforest Foundation, que atua na proteção da floresta e de seus povos tradicionais. Em 2019, Raoni foi indicado ao prêmio Nobel da Paz.

Em setembro do ano passado, ele se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em Brasília, para falar sobre os direitos dos indígenas. Um dia antes desse encontro, o cacique havia sido criticado pelo presidente Jair Bolsonaro. “Acabou o monopólio do senhor Raoni”, falou, ao citar Ysani Kalapalo, liderança indígena que viajou com Bolsonaro aos Estados Unidos para o discurso na Assembleia-Geral da ONU.

O cacique, em entrevista ao Estado em junho de 2019, também fez duras críticas à maneira como o governo Bolsonaro tem conduzido as políticas indigenistas. “Queremos dialogar com o governo, mostrar a ele que nós, indígenas, não aceitamos o que Bolsonaro pensa sobre nós, não aceitamos a violação dos direitos indígenas e dos territórios indígenas. Essa gestão é contra o povo indígena”, falou. Raoni já tentou se reunir com o presidente, mas teve o seu pedido de encontro negado.

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