Bush propõe que emissão de CO2 pare de crescer em 2025

O presidente George W. Bush propôsna quarta-feira que as emissões de gases do efeito estufa nosEstados Unidos parem de crescer até 2025, mas ofereceu poucasidéias novas para serem adotadas durante seus últimos meses demandato, o que rapidamente lhe atraiu críticas. A proposta, menos ambiciosa que a da União Européia, ocorreàs vésperas de o Congresso debater uma proposta mais ousada.Bush, que deixa o cargo em janeiro, ofereceu apenas princípiosgerais, como a ênfase nas emissões do setor energético.Rejeitou novos impostos, o abandono da energia nuclear e maisbarreiras comerciais. "Se implementarmos totalmente nossas fortes leis novas,aderirmos aos princípios que delineamos e adotarmos incentivosadequados, vamos colocar os EUA em uma nova rota ambiciosa paraas reduções dos gases do efeito estufa", disse ele. Trechos dodiscurso foram divulgados pela Casa Branca. Os três candidatos principais candidatos a presidentefizeram propostas que vão além das de Bush, sugerindo aimposição de limites à poluição atmosférica por dióxido decarbono das indústrias e um sistema de créditos para emissõessimilar ao europeu. Ambientalistas esperam que o próximo governo tenha maisempenho nas negociações internacionais sobre um tratado da ONUque suceda ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 e que osEUA não ratificaram alegando que provocaria prejuízoseconômicos. Os EUA são o maior emissor mundial de gases do efeitoestufa, mas Bush diz que seria injusto que os norte-americanostivessem de controlar as emissões enquanto grandes países emdesenvolvimento, como Índia e China, não receberem metascompulsórias. A bancada democrata no Congresso disse que a proposta deBush é modesta demais e deveria incluir um sistema de limites ecréditos. "Se for verdade que a proposta do presidente permitiriaaumento na poluição da nação [...] pelos próximos 17 anos,então não é um plano, é uma piada", disse a democrata BarbaraBoxer, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Obras Públicasdo Senado. ONGs ambientalistas também criticaram as propostas de Bush."O presidente está dando um chutão de qualquer jeito na direçãodos poluidores, num último e desesperado esforço para evitarqualquer ação significativa contra o aquecimento global",afirmou Carl Pope, diretor-executivo da entidade Sierra Club."Pelo plano do presidente, vamos precisar de um verdadeiromilagre para nos salvar do aquecimento global." Bush também defendeu a eliminação de barreiras comerciaispara a energia "limpa" e disse aos parlamentares que nãopoderia apoiar nenhuma proposta já em discussão para alcançaressa meta até 2025. "A forma errada é elevar impostos, duplicar mandatos, ouexigir cortes repentinos ou drásticos nas emissões, que não têmchance de serem realizados e têm toda chance de prejudicarnossa economia", disse Bush. A União Européia se comprometeu a reduzir unilateralmentesuas emissões, até 2020, para 20 por cento abaixo dos níveis de1990. Esse corte poderia chegar a 30 por cento se outros paísesricos fizessem o mesmo. A UE defende que o pico mundial das emissões ocorra dentrode 10 a 15 anos, e que até 2050 as emissões globais sejam 50por cento inferiores às de 1990, sendo que os países ricospromoveriam um corte de 60 a 80 por cento. "[O plano de Bush] não é nada ambicioso. Parece o desempre," disse uma autoridade climática européia. A comissão climática da ONU estima que, se o auge dasemissões globais de carbono se der em 2015, a temperatura médiado planeta subirá até 2,4C acima dos níveis pré-industriais. Se o auge das emissões ocorrer em 2030, o aumento detemperatura será de 3,2C. (Reportagem adicional de Deborah Zabarenko em Washington,Gerard Wynn em Londres e Alister Doyle em Oslo)

JEREMY PELOFSKY, REUTERS

16 de abril de 2008 | 17h04

Tudo o que sabemos sobre:
CLIMABUSHCODOIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.