LU PANISSON & DRI+
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Bugios com voz grossa produzem menos esperma, diz estudo

Segundo pesquisa, existe uma 'compensação evolutiva' entre o tamanho do hióide - o osso oco na garganta que permite fazer o rugido ressoar - e o tamanho dos órgãos reprodutivos

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2015 | 22h22

Macacos como os bugios estão entre os animais mais barulhentos do mundo e usam seus gritos potentes para atrair fêmeas e assustar machos rivais. Mas os indivíduos que têm vozes mais fortes, em compensação, têm testículos menores e produzem menos esperma que os outros, diz um novo estudo.

A pesquisa, feita por cientistas da Universidades de Utah (Estados Unidos), Cambridge (Reino Unido) e Viena (Áustria), foi publicada nesta quinta-feira, 22, na revista científica Current Biology. De acordo com os autores, a evolução deu aos bugios um sistema vocal poderoso e complexo, o que dá às suas vocalizações frequências acústica semelhantes às dos rugidos de tigres. 

Mas o novo estudo revela que nem todos os macacos são tão bem dotados: existe uma “compensação evolutiva” entre o tamanho do hióide - o osso oco na garganta que permite fazer o rugido ressoar - e o tamanho dos órgãos reprodutivos.

Em diferentes espécies de bugios, quanto maior o hióide, menor os testículos e menor a produção de esperma. Segundo uma das autoras do estudo, Leslie Knapp, da Universidade de Utah, as duas características permitem que os machos aumentem a eficiência reprodutiva, passando seus genes para os filhotes.

“São soluções diferentes para o mesmo problema. Não é possível produzir hióides e testículos grandes ao mesmo tempo. Isso provavelmente aconteceu porque os indivíduos de uma espécie produziam mais prole quando tinham hióides maiores. E em outras espécies, eles obtinham mais sucessos quando tinham testículos maiores”, afirmou Leslie.

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