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Pesquisadora brasileira Thelma Krug é eleita vice-presidente do IPCC

Especializada em estatísticas espaciais e sensoriamento remoto, ela foi copresidente da força-tarefa do painel sobre inventários

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 11h06

Atualizado às 19h40

SÃO PAULO - A matemática brasileira Thelma Krug, de 64 anos, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi eleita nesta quarta-feira, 7, para uma das vice-presidências do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). 

Thelma vai dividir o cargo com a norte-americana Ko Barrett, da agência para oceanos e atmosfera dos EUA (Noaa) e o malês Youba Sokona, diretor de Desenvolvimento Sustentável do South Centre, na Suíça.

Na terça-feira, 6, o economista sul-coreano Hoesung Lee havia sido eleito presidente do painel internacional de cientistas. O grupo, ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), acessa o conhecimento ligado às mudanças climáticas e produz relatórios com o melhor da ciência sobre o tema e que são voltados para guiar políticos a tomarem decisões sobre o problema. 

São esses relatórios que mostram, sem sombra de dúvidas, que o planeta está aquecendo por conta de atividades humanas que geram gases de efeito estufa em excesso.

Especializada em estatísticas espaciais e sensoriamento remoto, Thelma foi copresidente da força-tarefa do IPCC para criar normas sobre como os países devem fazer seus inventários de emissões de gases de efeito estufa. A pesquisadora foi secretária nacional de Mudança Climática do Ministério do Meio Ambiente (no governo Lula), uma das responsáveis pela implementação do sistema de monitoramento por satélite da Amazônia – o Prodes, que aponta a taxa oficial de desmatamento – e pelo primeiro inventário nacional de emissões de gases estufa.

Em entrevista ao Estado, a pesquisadora afirma que um dos maiores desafios que o painel científico tem daqui para frente é melhorar a produção de informações mais regionalizadas sobre as mudanças climáticas. “É fundamental que os formuladores de políticas sejam mais bem comunicados dos impactos e riscos potenciais, permitindo, assim, que possam tomar decisões. Isso depende de uma melhora dos modelos regionais, o que ainda é um desafio grande para a comunidade que trabalha com modelos climáticos. Há esperança de que esses modelos sejam aperfeiçoados no próximo relatório de avaliação do IPCC, que se inicia sob esse novo conselho”, disse.

A pesquisadora também ecoa uma das propostas do presidente Lee de aumentar a participação de pesquisadores dos países em desenvolvimento no painel. “Há uma menção recorrente de que existe uma lacuna de dados e informações de países em desenvolvimento. Na minha opinião, esses dados existem em vários desses países, mas não são facilmente identificados”, afirma.

“A identificação e o fortalecimento de redes existentes de pesquisa, particularmente regionais, pode ser útil para ajudar a superar essa questão. Cada um dos três vice presidentes poderia concentrar-se em duas regiões”, sugere. 

Mais mulheres. Além de Thelma e Ko Barrett, outras duas mulheres foram escolhidas entre as seis vagas de copresidência dos grupos de trabalho do IPCC na eleição que está sendo atualmente realizada na Croácia. Para a brasileira, essa foi a maior mudança em relação ao quadro anterior, que tinha em sua maioria homens. 

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