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Brasileira do Greenpeace é indiciada por pirataria na Rússia

Ana Paula, de 31 anos, foi detida com outros ativistas em setembro após protesto em plataforma de petróleo no mar de Pécora

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2013 | 11h49

SÃO PAULO - A bióloga gaúcha Ana Paula Maciel, de 31 anos, e outros 13 ativistas foram acusados de pirataria pela promotoria da Rússia e podem pegar até 15 anos de prisão. Eles fazem parte de um grupo de 30 pessoas que estavam a bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, e foram presas em 19 de setembro, após um protesto em uma plataforma de petróleo contra a exploração no mar de Pécora, no Oceano Ártico.

De acordo com a ONG, eles faziam um protesto pacífico, em águas internacionais, quando foram abordados por um helicóptero da guarda costeira. No dia anterior, com botes infláveis, alguns ativistas tinham se aproximado da plataforma da empresa Gazprom e dois deles, tentado escalar a lateral da estrutura para estender um banner contra a atividade.

A acusação de pirataria foi aventada pela promotoria desde o princípio, mas o próprio presidente russo, Vladimir Putin, deu a entender que a ideia seria deixada de lado. “Eu não sei os detalhes do que aconteceu lá, mas obviamente eles não são piratas. Apesar de que formalmente eles tentaram apoderar-se da nossa plataforma”, disse em entrevista coletiva na semana passada.

“A acusação de pirataria está sendo lançada contra homens e mulheres cujo único crime é a posse da consciência. Isso é ultrajante e representa nada menos do que um ataque ao direito fundamental de protesto pacífico”, disse Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace Internacional. As acusações para os demais serão feitas hoje.

O Itamaraty instruiu o embaixador brasileiro em Moscou, Fernando Barreto, a dar uma “carta de garantia” ao advogado do Greenpeace que está defendendo Ana Paula. O documento traz a palavra de Barreto garantindo que ela permanecerá em território russo durante todo o processo de investigação, que vai durar dois meses. Com a carta, a defesa vai entrar com o pedido para que ela possa responder em liberdade.

“Houve um endurecimento do governo, a decisão foi descabida, não violamos a soberania russa”, disse Sergio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil. Ele explica que o protesto faz parte de uma campanha para que o Ártico fique livre da exploração de petróleo, tendo em vista que a região é uma das que mais vêm sofrendo com o aquecimento global. “E o uso de combustível fóssil é o que está acelerando isso.”

De Porto Alegre, a família de Ana Paula afirma que ainda não conseguiu falar com ela. Seu pedido de ligação foi negado. “Ela passa recados pelo advogado que está acompanhando o caso, que repassa à embaixada em Moscou, que me liga”, conta sua mãe, Rosângela Maciel. /COLABOROU LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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