Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Brasil tem quase 20% de espécies de plantas e animais ameaçadas de extinção, diz IBGE

Pesquisa 'Contas de Ecossistemas: Espécies ameaçadas de extinção' foi divulgada na manhã desta quinta-feira, 5; ecossistema mais degradado é a Mata Atlântica

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 10h00

RIO - O Brasil tem hoje pelo menos 3.299 espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção. O número representa 19,8% do total de 16.645 espécies avaliadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na pesquisa Contas de Ecossistemas: Espécies Ameaçadas de Extinção, divulgada na manhã desta quinta-feira, 5. O ecossistema mais degradado do País é a Mata Atlântica, seguida de perto pelo Cerrado e pela Caatinga.

Os números, no entanto, devem ser muito maiores. Atualmente são reconhecidas no Brasil 49.168 espécies de plantas e 117.096 de animais. Desse total, a pesquisa do IBGE analisou apenas as 4.617 espécies da flora e as 12.262 da fauna para as quais existem informações sobre seu estado de conservação. Elas representam, respectivamente, 11,26% e 10,13% do total de espécies reconhecidas. 

“O estudo tem especial importância para o Brasil, que é o País com a maior biodiversidade do mundo”, afirmou o coordenador técnico da pesquisa, Leonardo Bergamini. 

Das espécies ameaçadas estudadas, o levantamento mostra que 4,73% estão criticamente em perigo, 9,35% estão em perigo e 5,74% são consideradas vulneráveis. Outras 0,06% estão extintas e 0,01% são extintas na natureza (ou seja, só existem em cativeiro). 

Entre as espécies extintas estão as aves maçarico-esquimó (Numenius borealis), gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti), limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi), peito-vermelho-grande (Sturnella defilippii), arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) e caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum). Estão ainda o anfíbio perereca-verde-de-fímbria (Phrynomedusa fimbriata); o mamífero rato-de-noronha (Noronhomys vespuccii); e os peixes marinhos tubarão-dente-de-agulha (Carcharhinus isodon) e tubarão-lagarto (Schroederichthys bivius). Além dessas, uma espécie está extinta na natureza: a ave mutum-do-nordeste (Pauxi mitu), originária da Mata Atlântica. 

A Mata Atlântica é o bioma que apresenta mais espécies ameaçadas, tanto em números absolutos (1.989) como proporcionalmente (25%). Em seguida vem o Cerrado, com 1061 espécies ameaçadas ou 19,7% do total, e a Caatinga, com 366 espécies ou 18,2%. O Pampa tem 194 espécies ameaçadas, que representam 14,5% do total. 

Já o Pantanal e a Amazônia estão mais bem preservados e apresentam as maiores proporções de espécies incluídas na categoria menos preocupante (88,7% e 84,3%, respectivamente) e os menores porcentuais de espécies ameaçadas (3,8% e 4,7%).

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