Brasil rejeita metas de emissões de carbono para países pobres

O Brasil reiterou na quarta-feira suaoposição a metas compulsórias de redução das emissões decarbono nos países em desenvolvimento, assunto que estará emdebate a partir da conferência climática de dezembro em Bali,na Indonésia. Um relatório divulgado na terça-feira pela Organização dasNações Unidas (ONU) recomendou que os países em desenvolvimentocortem suas emissões de carbono em pelo menos 20 por cento até2050. Os países ricos teriam de cortar suas emissões em 80 porcento no mesmo período. "Não somos a favor de metas", disse Sérgio Serra,Embaixador Extraordinário para mudanças climáticas doItamaraty, durante entrevista coletiva em Brasília. A ONU realiza de 3 a 14 de dezembro em Bali uma conferênciadestinada a lançar negociações sobre um tratado climáticointernacional que suceda ao Protocolo de Kyoto a partir de2012. O Brasil é uma potência emergente no comércio mundial eestá conquistando influência nas questões climáticas devido aopioneiro programa de biocombustíveis e à preocupação global empreservar a Amazônia. "A principal responsabilidade é dos paísesindustrializados", disse Everton Vargas, subsecretário deAssuntos Políticos do Itamaraty. "Nossa oferta é adotar políticas verificáveis em nívelnacional para combater a mudança climática -- temos nossaspróprias metas", acrescentou Vargas. Analistas dizem que a unidade demonstrada por Brasil egrandes países em desenvolvimento não se repete nas questõesclimáticas. A China, que também resiste a metas compulsórias contra ocarbono, assim como Washington, deve ultrapassar em breve osEstados Unidos como maior emissor mundial de gases do efeitoestufa. Apesar do uso de fontes energéticas "limpas" -- como oálcool combustível e a energia hidrelétrica -, o Brasil é umgrande emissor de carbono, em grande parte por causa dadevastação da Amazônia. O governo brasileiro defenderá na conferência de Bali queos países ricos paguem para que os pobres se adaptem àsmudanças climáticas, e fará uma campanha também portransferência de tecnologias sustentáveis para paísesdependentes energeticamente do carvão, como China e Moçambique. (Por Raymond Colitt)

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