Brasil quer apoio das Nações Unidas para uso do Passaporte Verde na Copa

Ministério do Meio Ambiente garante que obras da Copa são feitas com práticas sustentáveis

Agência Brasil

09 Outubro 2012 | 16h36

Brasília – O governo brasileiro quer o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para incrementar o uso do Passaporte Verde na Copa do Mundo de 2014. Representantes do organismo internacional estão reunidos nesta terça-feira, 9, com técnicos do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para definir quais estratégias preparatórias poderão ser desenvolvidas em parceria.

O Brasil quer que o incremento da campanha Passaporte Verde esteja incluído na lista de cooperação, que será definida até o final do dia. A campanha tem sido usada, em território nacional, para divulgar ações ambientais e sustentáveis e reduzir os impactos que setores, como o turismo, podem produzir sobre o meio ambiente.

A proposta brasileira é fazer com o que o passaporte também funcione como estímulo para que torcedores e participantes da Copa do Mundo adotem práticas sustentáveis previstas para as cidades-sede brasileiras.

"Estamos pensando em inovações consideráveis para comunicar [relacionar locais e ações sustentáveis nas cidades] e, também, atrair a adesão das pessoas [para que adotem estas ações durante o evento]", explicou Cláudio Langone, coordenador da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade para a Copa do Mundo de 2014.

Sem adiantar detalhes, Langone explicou que a expectativa é rastrear a adesão das pessoas às práticas sustentáveis previstas para os dias do evento, como as instalações dos estádios.

"Nossa prova de fogo será no final [da Copa do Mundo], se tiver uma pesquisa aleatória questionando se as pessoas perceberam iniciativas de sustentabilidade durante o evento", disse Langone, acrescentando que a resposta negativa apontaria para um fracasso do país na inclusão da sustentabilidade como característica do evento. "O Passaporte Verde e as Compras e Contratações Sustentáveis são temas que o Pnuma pode nos dar uma contribuição importante e devem ser definidos como prioridades no final do encontro de hoje."

A construção das 12 arenas nas cidades-sede da Copa do Mundo estão seguindo exigências previstas na certificação adotada pelo Brasil. De acordo com informações do MMA, todas as obras reaproveitaram o material de demolição e adoção de mecanismos de energia eficiente, com lâmpadas de menor consumo e que são acionadas automaticamente. Muitos projetos de reforma ainda incluíram a construção de reservatórios para captação da água da chuva que será reutilizada para irrigação. Grande parte do material utilizado, como madeiras e tintas, são certificados.

"Muitas empresas não tinham estes produtos e tiveram que demandar dos fornecedores. Com a demanda, você incorpora isto no portfólio de ofertas", avaliou Langone. O Brasil já ocupa o quarto lugar no mundo em construções sustentáveis. "É um mercado emergente e o fato de ter obras do tamanho de arenas como indutor deste processo já é um legado."

Apesar de diversas iniciativas sustentáveis já estarem em andamento, as metas ambientais ainda não estão definidas em números. Tanto governo, quanto setores da sociedade civil e de empresas, ainda não têm clareza sobre como será, por exemplo, a mensuração das emissões de carbono e compensações, ou ainda, os investimentos que serão feitos em áreas protegidas próximas às cidades-sede.

Ainda assim, representantes do ministério mostram tranquilidade em relação aos prazos. "Começamos a trabalhar no final de 2009. Em maio de 2010, criamos a Câmara Temática e temos câmaras em todas as cidades-sede", relatou Langone. Diante de um alerta feito por técnicos do Pnuma em uma avaliação sobre o desempenho ambiental da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o coordenador do grupo responsável pela sustentabilidade do evento no Brasil disse: "Vamos ver na reta final, se começar antes do que começamos poderia trazer melhores resultados. Na minha avaliação começamos no tempo adequado", acrescentou.

O porta-voz do Pnuma, Nick Nuttall, diretor da Divisão de Comunicação e Informação Pública do organismo, disse que o Brasil tem desenvolvido um trabalho importante e admitiu: "Se há alguma crítica, tem que ser dirigida ao Pnuma, que foi moroso para oferecer apoio. Mas, o Brasil começou a trabalhar antes e esperamos poder acelerar este processo."

Sobre a avaliação dos resultados ambientais conquistados pelos sul-africanos, Nuttall destacou avanços, como as mudanças no sistema de transporte de Joanesburgo e o sistema energético adotado na Cidade do Cabo. Quanto aos resultados finais aquém do esperado, o porta-voz do Pnuma acrescentou: "Os eventos refletem a realidade do mundo. Vivemos em um mundo em que o meio ambiente ainda não é prioridade dos governos e empresas como gostaríamos que fosse."

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