Brasil pode proibir importação de pneu usado, diz OMC

Decisão deve forçar o governo brasileiro a suspender importações dos parceiros do Mercosul

Denise Chrispim Marin , Agência Estado

03 de dezembro de 2007 | 16h41

O órgão de apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu que são legítimas as proibições adotadas pelo governo brasileiro à importação de pneus usados e reformados. A decisão confirma a vitória do Brasil sobre as alegações da União Européia, que abriu a controvérsia contra o Brasil na OMC.   Embora satisfeito com a decisão, o governo brasileiro "lamentou" que, para cumpri-la, terá de proibir as importações de pneus remodelados provenientes do Uruguai e Paraguai, seus sócios no Mercosul.   A permissão de importação desses produtos dos sócios do Mercosul foi aceita pelo Brasil por determinação do tribunal arbitral do bloco.   O relatório divulgado pela OMC, entretanto, desconsidera o fato de que essas importações provenientes do Uruguai e Paraguai são de pequeno volume - 164 mil unidades em 2005 - e balizou sua decisão em uma questão de princípios relacionados à proteção do meio ambiente e à saúde pública.  Nesse sentido, o Brasil não poderia mais importar de nenhum outro mercado um pneu reformado.    A única brecha possível será a de considerar a possibilidade de Uruguai e Paraguai passarem a reformar pneus originários no Mercosul e, a partir daí, exportá-los ao Brasil. Mesmo assim, o governo brasileiro terá de consultar se a OMC aceita esta fórmula.    Com base na decisão desta segunda-feira, 3, o governo brasileiro terá um prazo de 60 dias para apresentar à OMC seu plano para implementar a decisão sobre pneus usados, com a definição do prazo e da maneira com que irá se adequar à medida.    Além de resolver o problema com o Uruguai e Paraguai, o Executivo brasileiro terá de esperar uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre as liminares concedidas a reformadores nacionais de pneus, que lhes permitiram a importação de 10,5 milhões de carcaças, apenas em 2005.    A Advocacia Geral da União (AGU) encaminhou, em 2005, um pedido para que o Supremo verificasse a legalidade das liminares e adotasse um aposição sobre o tema.   O embaixador Roberto Azevedo, subsecretário de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty, afirmou que, "à luz da decisão de hoje da OMC, o governo brasileiro espera um posicionamento em breve do Supremo", mas ressaltou que não haverá pressões do Executivo. "Não temos como forçar o Supremo e nem saber quando vai se pronunciar sobre este tema." Caso o Supremo considere legítimas as liminares, a única possibilidade para o governo seria a aprovação de uma lei que proíba definitivamente a importação de pneus reformados.   Caso contrário, o Brasil estará sob sério risco de ver a OMC autorizar a União Européia a aplicar retaliações sobre o comércio bilateral.

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