AP Photo / Jacquelyn Martin
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Brasil não entrega meta de redução das emissões à ONU

Apenas 33 países apresentaram compromissos para acordo sobre mudança climática, que será discutido no fim do ano em Paris

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

31 Março 2015 | 20h03

WASHINGTON - Apenas 33 dos 192 membros da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentaram até esta terça-feira, 31, compromissos de redução de suas emissões no âmbito do acordo sobre mudança climática que será discutido no fim do ano em Paris. O prazo de terça era informal, mas havia a expectativa de que os países desenvolvidos e os grandes emergentes registrassem suas propostas o mais cedo possível, para permitir sua análise detalhada antes do encontro.

Entre as nações industrializadas, Japão, Canadá e Austrália deixaram de revelar suas posições. Brasil e China também não apresentaram propostas, mas o país asiático já divulgou suas metas em acordo fechado com os Estados Unidos no ano passado. 

Segundo maior poluidor do mundo, os EUA formalizaram nesta terça o compromisso de cortar 28% de suas emissões até 2025, em relação ao patamar de 2005. O porcentual é o mesmo previsto em acordo climático fechado entre Washington e Pequim no ano passado. Os dois países respondem por 45% das emissões mundiais e são fundamentais para a obtenção de um acordo em Paris.


A nova convenção substituirá o Protocolo de Kyoto, que se extingue em 2020, e abrangerá todos os países. As metas de redução de emissões atualmente em vigor se aplicam apenas às nações desenvolvidas. Algumas delas, como Canadá e Austrália, resistem a participar do novo acordo sobre mudança climática.

"É o momento de outros países fazerem o que Estados Unidos, México e os membros da União Europeia fizeram e submeterem metas tempestivas, transparentes, mensuráveis e acima de tudo ambiciosas para cortar a poluição de carbono", disse Brian Deese, assessor do presidente Barack Obama. Noruega, Suíça e Rússia também apresentaram seus compromissos à ONU.

Os 28 membros da União Europeia prometeram reduzir a emissão de gases que provocam efeito estufa em 40% até 2030, sobre os patamares existentes em 1990. O objetivo do acordo que será discutido em Paris é estabilizar o volume de emissões e evitar que a temperatura do planeta suba mais que 2ºC. 

Todd Stern, enviado especial para Mudança Climática do Departamento de Estado, disse que os compromissos dos Estados Unidos podem ser obtidos com a aplicação da legislação existente, sem necessidade de novos atos do Congresso. 

Segundo ele, os demais países manifestam com frequência dúvidas sobre a execução - e manutenção - dos cortes prometidos pelos EUA. "Desfazer o tipo de regulações que nós estamos implementando é algo muito difícil", declarou Stern em conferência telefônica com jornalistas da qual Deese também participou. 

O acordo firmado por Obama com a China no ano passado foi criticado por integrantes do Partido Republicano. Muitos na legenda oposicionista não creem que o aquecimento global seja fruto da ação humana e resistem a restrições de caráter ambiental. Grande parte das ações que limitam as emissões é resultado de decretos de Obama, que têm por base legislação ambiental aprovada nos anos 70.  

Primeiro país emergente a apresentar sua proposta, o México disse que suas emissões que provocam efeito estufa começarão a cair a partir de 2026 e prometeu cortes de 22% até 2030. Quarto maior emissor depois dos EUA, China e Índia, a Rússia prometeu redução de 25% a 30% até 2030, sobre os níveis existentes em 1990.

Os países que deixaram de apresentar suas propostas até esta terça terão até outubro para registrá-las na ONU. A data é vista como excessivamente próxima da realização do encontro de Paris. Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção sobre Mudança Climática da ONU, "encoraja" os países a apresentarem suas propostas o quanto antes.

A divulgação dos compromissos individuais de cada nação é vista como um fator que aumenta as chances de sucesso da reunião de Paris.

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