Brasil manda 'mensagem contraditória' sobre meio ambiente para o mundo, diz jornal

Um dia após anunciar menor desmatamento na Amazônia desde 1988, país aprova Código que pode incentivar perda de vegetação, diz 'El País'.

BBC Brasil, BBC

07 de dezembro de 2011 | 08h34

Uma reportagem publicada nesta quarta-feira no jornal espanhol "El País" afirma que o Brasil enviou "uma mensagem contraditória" para o resto do mundo ao aprovar no Senado o novo Código Florestal.

O jornal salienta que a aprovação do código "que flexibiliza as regras para preservar a vegetação e abre a porta para uma anistia para os que foram condenados por delitos de desmatamento, que contribuem para a mudança climática", veio apenas um dia após o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciar que a área desmatada na Amazônia no último ano até agosto foi a menor desde 1988.

"O novo código colocou em pé de guerra amplos setores do mundo científico, cultural e artístico brasileiro. A votação no Senado ocorreu com vários dias de atraso por causa do enfrentamento entre os senadores ambientalistas e os ruralistas, e pela avalanche de emendas apresentadas ao Código", diz a reportagem.

"Tantas objeções de última hora ao código, que vinha sendo discutido há dois anos e meio, são o puro reflexo da polêmica desatada no Brasil."

Ainda na Espanha, o andaluz "ABC" chama atenção para a aprovação da lei "que deixa vulneráveis 400 mil quilômetros quadrados da Amazônia, um quinto dela".

Para o jornal, seria como desmatar "uma Alemanha e uma Suíça inteiras".

"Mas há pesquisas que apontam que a área em perigo é de 700 mil quilômetros quadrados, quase uma Espanha e meia desmatada", afirma a reportagem.

"De nada serviram os alertas de diversas organizações não governamentais nacionais e internacionais, ecologistas e da comunidade científica brasileira frente ao poder da indústria agropecuária brasileira no Congresso."

Nos Estados Unidos, o "Wall Street Journal"observou que o código "divide a nação" e levanta "preocupações em relação aos custos ambientais da estratégia do Brasil de empregar seus vastos recursos naturais para gerar crescimento econômico".

"Nos últimos anos, o Brasil abriu novas minas na Amazônia e está investindo dezenas de bilhões de dólares na construção de imensas usinas hidroelétricas na Amazônia para colher o potencial energético dos rios da floresta", nota a reportagem.

Devido às mudanças sofridas no Senado, o Código Florestal precisa voltar para a Câmara e seguir para a análise da presidente Dilma Rousseff, que pode sancionar ou vetar trechos do texto.

Em sua reportagem, o "Wall Street Journal" chama atenção para o "dilema político" que a tramitação do Código ainda criará para Dilma.

"A legislação está de acordo com a visão desenvolvimentista de Dilma, mas sancioná-la corre o risco de alienar os grupos ambientalistas no seu partido de esquerda, que já prometeram pressioná-la para vetar partes do Código." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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