Brasil gasta menos com preservação de florestas do que países semelhantes

Enquanto o Brasil gasta em média R$ 4,43 por hectare de suas unidades de conservação, na Argentina o índice é de R$ 21, e na África do Sul de R$ 67

Planeta

22 Junho 2011 | 14h32

Comparado a outros oito países, o Brasil é o que menos investe por hectare na preservação de suas florestas, e o que tem a pior relação entre o tamanho das áreas de preservação e o número de funcionários dedicados a protegê-las. A conclusão está no estudo "Contribuição das Unidades de Conservação para a Economia Nacional", divulgado no mês passado e desenvolvido por meio de parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e o Centro para Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), sob a coordenação técnica de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O Brasil detém 1.278.190 km² de área de preservação – 15% do território nacional. Parte da água que compõe os reservatórios de usinas hidrelétricas, o desenvolvimento de remédios e cosméticos, e atividades turísticas dependem das unidades de conservação. Elas também mitigam a emissão de CO2 e de outros gases de efeito estufa, ajudando a impedir o aumento da concentração desses gases na atmosfera.

Apesar da importância das unidades de conservação, o Brasil investe nelas menos por hectare do que África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Costa Rica, Estados Unidos, México ou Nova Zelândia – países escolhidos por terem grande parte do território ocupada por áreas de preservação ou por terem índices sociais semelhantes aos nossos. Enquanto o Brasil gasta em média R$ 4,43 por hectare de suas unidades de conservação, na Argentina o índice é de R$ 21, e na África do Sul de R$ 67. Já nos Estados Unidos, país com a maior área em unidades de conservação (o Brasil é o quarto nesse ranking), a média do gasto é de R$ 156 por hectare. E, enquanto na África do Sul existe em média um funcionário para cada 1.176 hectares de área de preservação, no Brasil a razão é de um funcionário para cada 18.600 hectares.

Segundo o estudo, enquanto o orçamento para as unidades federais de conservação se mantém em cerca de R$ 300 milhões desde 2001, a área total a ser protegida aumentou em mais de 80% no mesmo período. Já o “enorme déficit de servidores”, diz o texto,  pode ser explicado também “pelo longo período sem a realização de concursos públicos ou outras estratégias de contratação de pessoal”.

Para que o potencial das unidades de conservação em prover produtos e serviços à sociedade brasileira seja plenamente desenvolvido, o Ministério do Meio Ambiente estima que seriam necessários gastos correntes anuais de R$ 550 milhões para o sistema federal e de R$ 350 milhões para o conjunto dos sistemas estaduais, além de cerca de R$ 600 milhões para  investimentos em infraestrutura e planejamento, no sistema federal, e mais R$ 1,2 bilhão nos sistemas estaduais – várias vezes o orçamento atual.

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