'Brasil deveria ter verdadeiros negociadores e não fazer campanha política', diz Marina

Para ex-ministra, Dilma Roussef, sua rival na disputa pela Presidência, é uma 'principiante' na questão ambiental e não deveria ter chefiado delegação

Efe

19 Dezembro 2009 | 19h20

A senadora Marina Silva (PV-AC), possível candidata à Presidência em 2010, afirmou nesta sábado que o Brasil deveria ter ido à Cúpula da ONU sobre Mudança Climática, em Copenhague, com "verdadeiros" negociadores e não para fazer campanha eleitoral, em clara alusão à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, que chefiou a delegação brasileira.

"O Brasil devia chegar à cúpula sobre mudança climática com um verdadeiro grupo de negociadores e não para fazer campanha política para 2010", disse Marina. Ministra do Meio Ambiente durante os primeiros

seis anos de governo Lula, ela foi à Cúpula da ONU sobre Mudança Climática com um grupo de parlamentares e disse que "lamentou" a "ausência" nas negociações do chanceler Celso Amorim.

Segundo a senadora, tanto Amorim como o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que também viajaram à capital dinamarquesa, foram "relegados" nas negociações da cúpula por Dilma, a quem

qualificou como uma "principiante" em questões ambientais.

Uma pesquisa divulgada hoje pelo instituto Vox Populi sobre as eleições do próximo ano coloca Marina Silva em quarto lugar na preferência dos eleitores, com 13% das intenções de voto. Em primeiro lugar ficou José Serra (PSDB; 39%), seguido por Dilma (PT; 18%) e Ciro Gomes (PSB; 17%).

As diferenças entre Marina e Dilma apareceram de forma clara ao longo da semana na reunião de Copenhague. A senadora disse na terça-feira que o Brasil deveria se comprometer com "pelo menos US$ 1 bilhão" com a criação de um fundo de ajuda para que os países pobres combatam a mudança climática, o

que foi desqualificado por Dilma. Ela negou tal possibilidade e afirmou que esse número "não faria nem sequer cócegas" na luta ambiental. Apesar disso, em discurso feito sexta-feira na conferência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que o Brasil pode contribuir com recursos.

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