REUTERS/Ajay Verma
REUTERS/Ajay Verma

Brasil desiste de sediar conferência do clima em 2019

Governo alegou 'dificuldades orçamentárias' e o processo de transição presidencial

O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2018 | 00h33

O Brasil anunciou nesta terça-feira, 27, que vai retirar sua candidatura para sediar em 2019 a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP-25. O governo alegou como motivo “dificuldades orçamentárias” e o processo de transição presidencial. Em janeiro, assume o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), crítico do Acordo de Paris, contra as mudanças climáticas.

Segundo comunicado do Itamaraty, o País “se viu obrigado” a retirar a candidatura por causa das atuais “restrições fiscais e orçamentárias”. O governo Michel Temer se mostrou interessado em acolher o evento durante a conferência do ano passado, em Bonn, na Alemanha.

À época, o então ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, disse que isso seria um “marco” no caminho até a implementação do Acordo de Paris, esforço internacional assinado por 195 países em 2015 para conter o aquecimento do planeta. Naquele ano, o Brasil desempenhou papel importante na costura do acordo. Em nota, o Observatório do Clima classificou a decisão como “lamentável”.

"Não é a primeira e certamente não será a última notícia ruim de Jair Bolsonaro para essa área", disse o Observatório do Clima. "Ao ignorar a agenda climática, o governo federal também deixa de proteger a população, atingida por um número crescente de eventos climáticos extremos. Estes, infelizmente, não deixam de ocorrer só porque alguns duvidam de suas causas."

Questão de 'soberania'

Na campanha, Bolsonaro disse que poderia retirar o Brasil do pacto climático por uma questão de “soberania”. Segundo ele, o País teria de “pagar um preço caro” para atender às exigências do acordo. A declaração motivou reações contrárias de defensores ambientais e de entidades do agronegócio, que temem retaliação de importadores de carne e itens agrícolas se a promessa for levada à frente.

Para o cargo de chanceler, Bolsonaro escolheu o diplomata Ernesto Araújo. O futuro ministro diz que a mudança climática é um dogma científico influenciado por uma cultura marxista para favorecer a China. O próximo titular da pasta de Meio Ambiente ainda não foi anunciado.

O discurso crítico aos esforços contra o aquecimento global é semelhante ao do presidente americano, Donald Trump. A Conferência do Clima deste ano será realizada na Polônia, em dezembro. /EFE 

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