Brasil, China e outros querem tratado climático até junho

Brasil, China, Índia e África do Sul querem que um novo tratado climático global seja concluído até junho de 2010, segundo um documento preliminar a ser apresentado na reunião da ONU em Copenhague, que começou nesta segunda-feira.

KRITTIVAS MUKHERJEE, REUTERS

07 Dezembro 2009 | 20h21

Os 192 países participantes do evento devem discutir as linhas gerais do futuro tratado. Vários líderes mundiais participarão do encerramento do evento, no dia 18.   Veja também:  

 

 

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A expectativa, no entanto, é que apresentem apenas um acordo de caráter político, e não um tratado de cumprimento obrigatório a respeito de questões como a redução das emissões de gases do efeito estufa.

Os quatro grandes países emergentes signatários do documento, responsáveis por cerca de 30 por cento das emissões globais de carbono, querem que o tratado definitivo seja selado até junho. Outros países vinham sugerindo uma conclusão até o fim de 2010.

"O grupo (negociador) deve completar seu trabalho até junho de 2010 e apresentar o resultado do seu trabalho à conferência (...) na sessão a ser retomada (ou seja, numa espécie de continuação da conferência de Copenhague)", segundo a versão obtida pela Reuters.

O texto reconhece a validade da meta científica de limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius e rejeita a cobrança de tarifas alfandegárias adicionais sobre produtos de países muito poluentes.

"As partes não devem recorrer a qualquer tipo de medida unilateral, incluindo medidas fronteiriças fiscais e não fiscais contra bens e serviços", diz o texto, que não especifica cortes a serem feitos pelos países ricos em suas emissões até 2020, nem o dinheiro a ser dado aos países em desenvolvimento para que se adaptem à mudança climática e reduzam suas próprias emissões.

China e Índia já pediram aos países ricos que reduzam suas emissões em pelo menos 40 por cento até 2020, ano que vem sendo usado como parâmetro. Todas as reduções são em relação aos níveis de 1990.

Questionado sobre se os países emergentes teriam abandonado suas exigências aos países ricos, o representante indiano Syam Saran disse à Reuters em Copenhague que a omissão no documento ocorreu porque "há alguns países no G77 e China (grupo de países em desenvolvimento) que querem um percentual maior."

"Você tem a Aliança dos Pequenos Estados Insulares que diz que o mínimo deveria ser 45 por cento, não só 40 por cento. Trata-se de uma questão para mais discussões."

Os emergentes defenderam no texto também um fundo climático global para ajudar os países pobres, a ser administrado pelo chamado Instrumento Ambiental Global.

(Reportagem adicional de David Fogarty)

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