Brasil apreende gado para conter destruição da Amazônia

O Brasil apreendeu milhares de cabeças de gado na Amazônia como parte de uma operação de repressão ao desmatamento e à exploração ilegal de terras que alimentam a destruição da maior floresta tropical do mundo, disse na terça-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. O anúncio surge após a crescente preocupação internacional com o ritmo do desflorestamento e ao pedido de demissão no mês passado da antecessora de Minc, Marina Silva, que era amplamente vista como uma guardiã da Amazônia. Em meio ao boom mundial do preço das commodities, os fazendeiros provavelmente vão contestar o aumento dos mecanismos de controle do governo. A polícia e os agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreenderam cerca de 10.000 cabeças de gado em terras desflorestadas ilegalmente no Estado de Rondônia, disseram assessores do Ibama. Na semana passada, o mesmo aconteceu com um rebanho de 3.500 cabeças no Pará, disse Minc em uma coletiva de imprensa. "Boi pirata vai virar churrasquinho do Fome Zero", disse Minc, referindo-se ao programa do governo contra a fome que receberá a renda da venda do gado apreendido. Fazendas de gado ocupam cerca de 80 por cento das áreas desmatadas, afirmou Minc. A estimativa é de que 25 milhões de cabeças de gado sejam criadas em terra desflorestada da Amazônia, disse à Reuters o diretor do Ibama, Flavio Montiel. Montiel espera que até o fim do ano sejam retiradas centenas de milhares de cabeças de gado de áreas desmatadas ilegalmente. Depois que o rebanho foi apreendido em uma fazenda do Pará na semana passada, fazendeiros vizinhos, temendo uma expropriação, cumpriram a ordem judicial e removeram seus animais para outras áreas. Os fazendeiros são frequentemente aliados de políticos locais e roubam terras públicas por meio da falsificação de títulos e suborno de funcionários de cartórios. O Ibama já multou fazendeiros produtores de grãos e siderúrgicas que compram carvão vegetal de áreas desflorestadas, disse Minc. Numa próxima etapa pretende ter como alvo frigoríficos. Fazendeiros indignados disseram que as novas medidas são irracionais e podem provocar aumento de preços e escassez de produtos. "Esta política é emocional demais e cria conflitos", disse Assuero Veronez, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em entrevista à TV Globo. O ritmo do desflorestamento cresceu neste ano pela primeira vez desde 2004 como consequência da crescente demanda por alimentos que pressiona os fazendeiros a se aprofundarem na floresta. Nos 12 meses até julho o desmatamento vai chegar a 15.000 quilômetros quadrados --praticamente metade do tamanho da Bélgica, disse Minc nesta terça-feira ao jornal Folha de São Paulo. No ano passado, 11.224 quilômetros quadrados foram destruídos, número abaixo do pico de 27.379 quilômetros quadrados em 2003.

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