BP promete resposta a ultimato da Guarda Costeira dos EUA

Empresa diz que se pronunciará neste domingo sobre exigência de autoridades por mais medidas para conter vazamento de petróleo.

BBC Brasil, BBC

13 Junho 2010 | 07h36

A petroleira britânica BP prometeu se pronunciar neste domingo sobre uma exigência das autoridades americanas de que a empresa identifique e ponha em operação novas medidas para conter o vazamento de petróleo no Golfo do México, que já leva quase dois meses.

A Guarda Costeira dos Estados Unidos deram à BP um prazo de 48 horas para que apresente um plano adicional de contenção do vazamento de petróleo no Golfo do México. O prazo termina neste domingo à noite.

Um executivo da companhia, Doug Suttles, afirmou que a petroleira está buscando novas possibilidades para conter o vazamento.

O ultimato da Guarda Costeira foi dado na sexta-feira, mas divulgado apenas no sábado.

Em uma carta à direção da empresa, o almirante James Watson exigiu que a companhia "identifique capacidade adicional de contenção do vazamento" e ponha em operação novas medidas para conter o fluxo do óleo.

O almirante apontou a revisão das estimativas de vazamento feitas na semana passada pela agência geológica americana, US Geological Survey. O órgão afirmou que o vazamento pode ter chegado a 40 mil barris de petróleo diários no início deste mês, o dobro do que se estimava.

"Com a revisão das estimativas indicando um fluxo substancialmente maior de petróleo do poço Maçado 252, está claro que é urgente e necessária uma maior capacidade (de coleta do óleo)", escreveu Watson na carta.

"Preocupa-me que seus planos correntes não possibilitem a máxima mobilização de recursos para prover a capacidade de coleta consistente com as estimativas revisadas de fluxo."

Parte desse fluxo foi contida com a colocação de um funil para recolher o óleo da tubulação danificada, no dia 3 de junho.

Na semana passada, a BP afirmou que está recolhendo 15 mil barris diários de petróleo. No mês passado, a empresa estimava que o vazamento era de 5 mil barris por dia.

Conversa

O petróleo está vazando de um poço danificado a 1,5 mil metros de profundidade no Golfo do México desde a explosão da plataforma operada pela BP, a Deepwater Horizon, no dia 20 de abril, em um incidente que matou 11 trabalhadores.

No sábado, o vazamento foi tema de uma conversa telefônica de 30 minutos entre o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Cameron expressou pesar pelos prejuízos ambientais causados pelo vazamento, que vem sendo considerado o maior da história dos Estados Unidos.

De sua parte, Obama disse que reconhece que a BP é uma empresa multinacional e que não tem interesse em minar seu valor.

O ministro britânico do Exterior, William Hague, disse que ambos concordaram que "há tantos acionistas americanos da BP quanto britânicos".

Em uma entrevista à BBC neste domingo, Hague afirmou que o governo britânico está oferecendo aos EUA grandes quantidades de produtos químicos para ajudar a limpar o vazamento.

As críticas de Obama à BP vêm sendo intensas e geraram acusações de alguns executivos britânicos de que o presidente americano estaria usando linguagem "anti-britânica".

Dividendos

A petroleira britânica está sob intensa pressão do governo americano para arcar com a operação de limpeza no Golfo do México.

Enquanto ainda não existe certeza sobre a escala do desastre - e sobre o tamanho do rombo que ele causará às contas da BP -, a empresa está considerando suspender o pagamento de dividendos aos seus acionistas.

A companhia estuda atrasar o pagamento de 1,8 bilhão de libras (cerca de R$ 4,8 bilhões) por trimestre até que a crise possa ser controlada e a escala total das responsabilidades da companhia seja determinada.

Embora se espera que os diretores da BP se reúnam na segunda-feira para tomar a decisão, qualquer anúncio formal só será feito depois das negociações da companhia com o presidente americano, Barack Obama, na quarta-feira.

O editor de negócios da BBC Robert Peston disse que a BP crê possuir os recursos para pagar a conta, ainda que o custo total da operação de limpeza, pagamento de multas e indenizações supere os 20 bilhões de libras (cerca de R$ 53,4 bilhões). BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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