BP poderá ser 'retirada' de operação contra vazamento, diz EUA

Secretário do Interior, Ken Salazar, afirmou que petroleira não cumpriu prazos para conter mancha de petróleo.

BBC Brasil, BBC

23 Maio 2010 | 20h09

O secretário do Interior dos Estados Unidos, Ken Salazar, afirmou que a petroleira British Petroleum (BP) poderá ser "tirada do caminho" se não conseguir conter o vazamento de petróleo da tubulação danificada depois que uma plataforma afundou no Golfo do México.

Salazar disse que a companhia britânica perdeu "prazo após prazo" em seus esforços para fechar a tubulação danificada.

"Se descobrirmos que eles não estão fazendo o que eles deveriam fazer, vamos tirá-los do caminho de forma apropriada", disse Salazar a jornalistas depois de visitar os escritórios da BP nos Estados Unidos.

De acordo com a correspondente da BBC em Washington Madeleine Morris, o comentário de Salazar foi a linguagem mais forte já usada por uma autoridade americana em relação à BP.

E, apesar de o governo americano poder tirar a BP da operação de limpeza no Golfo do México, de acordo com Morris a BP é a única organização que tem o conhecimento necessário para lidar com uma situação como esta no fundo do mar.

O vazamento de petróleo no Golfo do México começou há mais de um mês, quando uma plataforma que operava em nome da BP, a Deepwater Horizon, explodiu, matando 11 pessoas.

Milhões de barris de petróleo se espalharam pelo oceano desde então, vindos da tubulação do poço de petróleo, que foi danificada, a 1524 metros da superfície do oceano.

A mancha de petróleo já atingiu a costa da Louisiana e está ameaçando a Flórida e Cuba.

Cientistas

O governo americano está enfrentando muitas críticas devido à sua resposta ao desastre e também está sendo pressionado para assumir a operação para conter o vazamento. No momento a BP é a responsável pela operação.

A maioria da informação a respeito da extensão da mancha de petróleo além das medidas para fechar o vazamento vem da própria BP, o que levou a acusações de que o governo americano está cofiando demais na companhia para lidar com o desastre, de acordo com a correspondente da BBC em Washington.

O secretário do Interior americano afirmou que o governo enviou uma equipe com os melhores cientistas à sede da BP em Houston.

"Eles pressionaram a BP de todas as maneiras possíveis para fechar aquele poço e eles pressionaram a BP de todas as formas possíveis para conter a poluição", disse.

"Se houver alguma forma de fechar este poço, eles vão descobrir. Se houver uma forma de evitar que esta poluição se espalhe, eles vão encontrar", acrescentou.

Para Salazar, a melhor opção no momento é tentar injetar fluidos na tubulação danificada. O secretário do Interior americano afirmou ainda que "não há dúvida" de que a BP está fazendo o máximo para resolver a situação "pois esta é uma crise existencial para uma das maiores companhias do mundo".

"Se eu tenho certeza de que eles sabem exatamente o que estão fazendo? Não, não completamente", acrescentou.

Opções

No sábado, o presidente Barack Obama culpou o vazamento por um "colapso de responsabilidade" na BP.

Os esforços da BP para conter a mancha de petróleo sofreram um novo golpe quando foi divulgado que seu método para conter o vazamento no fundo do oceano estava capturando muito menos petróleo do que há três dias.

Um de seus diretores, Bob Dudley, afirmou que vai aplicar uma série de opções de curto prazo, enquanto trabalha para abrir um poço para aliviar a situação, algo que não ficará pronto antes de agosto.

O chefe da Guarda Costeira americana, almirante Thad Allen, admitiu no domingo que o governo era obrigado a confiar na BP e na iniciativa privada do setor petroleiro para tentar conter o vazamento.

"Eles tem os olhos e ouvidos que estão lá embaixo (no fundo do oceano)", disse. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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