BP nega ter omitido dado sobre explosão

Empresa proprietária da plataforma acusa a operadora de obstruir investigação sobre tragédia ambiental.

BBC Brasil, BBC

20 de agosto de 2010 | 07h09

A petroleira BP, que operava a plataforma que explodiu no Golfo do México em abril, provocando um vazamento de óleo no mar, está sendo acusada de omitir informações importantes na investigação do incidente.

A Transocean, empresa que é dona da plataforma de petróleo, afirma que a BP está se recusando a entregar dados necessários para se descobrir o motivo da explosão.

A afirmação foi feita em uma carta entregue por um dos advogados da Transocean a integrantes do governo norte-americano.

Na quinta-feira, através da sua porta-voz, a BP negou as acusações, afirmando que a carta contém "afirmações mal-informadas e tendenciosas".

Troca de acusações

Mesmo assim, a acusação pode colocar ainda mais pressão sob a BP, que está sob escrutínio público desde o começo do desastre, no dia 20 de abril.

A explosão matou 11 trabalhadores e provocou o maior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos.

"A BP continua demonstrando sua relutância, ou até mesmo negativa, em entregar as informações mais básicas à Transocean", acusa o advogado da Transocean, Steven L. Roberts, na carta.

"Isto é perturbador, diante do compromisso da BP com transparência e correção da investigação, e porque parece que a BP está segurando informações para evitar que qualquer outra entidade além da BP investigue o caso."

A porta-voz da BP afirma que a empresa se mantém "determinada" no compromisso de descobrir o motivo da explosão da plataforma.

"Nós estamos decepcionados que a Transocean tenha optado por escrever uma carta com tantas afirmações mal-informadas e tendenciosas, incluindo a afirmação de que a BP está 'retendo indícios' sobre a explosão e o vazamento", afirma a porta-voz da BP, Elizabeth Ashford.

"Nós estamos na dianteira da cooperação com várias investigações exigidas pelo governo dos Estados Unidos e outros sobre as causas da tragédia do Deepwater Horizon."

A Transocean é alvo de 249 processos por danos pelo desastre. A empresa pediu em um tribunal que seu prejuízo seja limitado a US$ 27 milhões, já que ela alega não ser responsável pelo vazamento.

Um estudo científico confirmou que resíduos tóxicos do óleo ainda estão presentes no mar.

O levantamento do instituto Woods Hole Oceanographic Institute, feito em junho, afirma que há uma mancha de 200 metros de altura e dois quilômetros de extensão a 35 quilômetros do local onde ocorreu o vazamento.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.