BP inicia nova operação contra vazamento; ações voltam a cair

A empresa petroleira britânica BP realizava na quarta-feira uma nova tentativa de deter o vazamento de petróleo que jorra no fundo do golfo do México, enquanto suas ações voltaram a cair, com a notícia de que o governo dos EUA faria uma investigação criminal e civil sobre o acidente.

ED STODDARD, REUTERS

02 Junho 2010 | 12h06

Após o fracasso da sua tentativa de "sufocar" o vazamento com lama, a empresa agora tentará bombear parte do petróleo usando, primeiro, robôs submarinos para serrar o que restou da tubulação danificada do poço em alto-mar. Depois disso, baixará uma cúpula de contenção sobre o que sobrou do aparato na boca do poço.

A tentativa de conserto na realidade aumenta o fluxo de petróleo ao menos temporariamente antes que o vazamento possa ser contido.

O vazamento começou em 20 de abril, quando uma plataforma de perfuração que estava sobre o poço explodiu e afundou, deixando 11 mortos. Esse já é o pior vazamento de petróleo na história dos EUA, superando o acidente de 1989 com o navio Exxon Valdez no Alasca. Os milhões de litros de óleo já derramados no golfo do México estão causando graves prejuízos ambientais e econômicos.

O FBI e outros órgãos estão investigando o vazamento. "Se encontrarmos evidências de comportamento ilegal, seremos incisivos em nossa resposta," disse o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, na terça-feira, após reunião com procuradores federais e estaduais em Nova Orleans.

A BP prometeu cooperar com as investigações.

As ações da empresa continuam despencando. Na Europa, elas abriram a quarta-feira em queda de 2,4 por cento, após caírem outros 13,1 por cento na véspera. Desde o início da crise, a empresa já perdeu mais de um terço do seu valor de mercado (cerca de 67 bilhões de dólares).

"Houve uma fuga aguda durante a noite nos EUA com a notícia da investigação criminal e civil dos EUA," disse Will Hedden, operador da IG Index. "Estamos ficando alinhados com o movimento de venda (das ações da BP) nos EUA."

Uma fonte da empresa disse, sob anonimato, que as operações submarinas para serrar a tubulação começaram na noite de terça-feira. A finalidade da cúpula de contenção é captar boa parte do petróleo e conduzi-lo a um navio-tanque na superfície, a 1,6 quilômetro de distância.

(Reportagem adicional de Kristen Hays e Chris Baltimore em Houston, Jeremy Pelofsky e Matt Spetalnick em Washington, e Joanne Frearson em Londres)

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