BP anuncia suspensão de pagamento de dividendos a acionistas

Petroleira foi pressionada a anunciar medida enquanto vítimas do vazamento aguardam indenizações.

Alessandra Corrêa, BBC

16 Junho 2010 | 18h09

O presidente da petroleira britânica British Petroleum (BP), Carl-Henric Svanberg, anunciou nesta quarta-feira que a empresa não vai pagar dividendos a seus acionistas neste ano.

"O conselho da BP decidiu hoje que nós não vamos pagar mais nenhum dividendo neste ano", disse Svanberg após uma reunião da cúpula da empresa com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca.

A BP vinha sofrendo pressão para interromper o pagamento de dividendos a acionistas enquanto as vítimas do vazamento de petróleo no Golfo do México aguardam compensações financeiras.

O valor dos dividendos é calculado atualmente em US$ 10,5 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) por ano.

Nesta quarta-feira, após a reunião com Obama, a empresa também concordou com a criação de um fundo independente no valor de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 36 bilhões) para garantir o pagamento de indenizações às vítimas.

Desculpas

Svanberg também pediu desculpas pelo vazamento de petróleo, que é considerado o pior desastre ambiental da história americana.

"Nós deixamos claro ao presidente que palavras não são o suficiente. Nós entendemos que vamos e devemos ser julgados por nossas ações", afirmou o executivo.

"Eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para pedir desculpas ao povo americano em nome de todos os funcionários da BP, muitos dos quais estão vivendo na costa do Golfo. E eu agradeço pela sua paciência nesse período difícil", disse Svanberg.

"Por meio de nossas ações e nosso comprometimento, esperamos que no longo prazo nós possamos reconquistar a sua confiança."

Vazamento

O vazamento de petróleo no Golfo do México começou em 20 de abril, quando uma plataforma operada pela BP explodiu e afundou, matando 11 funcionários.

Desde então, a empresa já gastou mais de US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 2,9 bilhões) e viu o valor de suas ações cair pela metade.

Todas as tentativas de interromper por completo o fluxo de petróleo até o momento foram fracassadas, e as estimativas mais recentes do governo americano são de que entre 35 mil e 60 mil barris por dia sejam despejados no Golfo do México.

Um dispositivo colocado pela BP sobre o poço danificado, que está a uma profundidade de cerca de 1,5 mil metros, até agora tem conseguido coletar apenas em torno de 18 mil barris por dia.

Obama disse que instruiu a empresa a mobilizar equipamentos e técnicas adicionais para que nas próximas semanas seja possível capturar cerca de 90% do petróleo.

Famílias

Obama disse ainda ter conversado com Svanberg sobre a situação das famílias e trabalhadores da região do Golfo, a qual o presidente americano já visitou quatro vezes desde abril.

Tanto o governo como a empresa vêm enfrentando crescente descontentamento popular com a reação ao desastre.

"(Para essas pessoas) não é apenas uma questão de dólares e centavos", disse Obama. "Eles estavam saindo do (furacão) Rita e do Katrina e da pior crise econômica deste país desde a Grande Depressão, e essa estação seria aquela em que eles iriam se recuperar."

"Eu enfatizei ao presidente (da BP) que quando estiver falando com seus acionistas, quando estiver em reuniões de seu conselho, tenha em mente essas pessoas, que estão desesperadas", disse Obama. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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