BP alivia própria culpa em relatório

Empresa divulga documento em que compartilha os erros com a Transocean e a Halliburton

Com informações do The New York Times

08 de setembro de 2010 | 20h37

A gigante do petróleo BP gastou meses durante o verão tentando conter o vazamento de óleo nas profundezas do Golfo do México. Agora, de acordo com matéria publicada no The New York Times, a empresa está tentando conter a falência legal e financeira ocasionada pela explosão da plataforma da BP.

 

Nesta quarta, a BP divulgou os resultados de uma investigação interna em que a empresa assume algumas culpas, mas principalmente, que aponta para as falhas de outras companhias. Levado a cabo pelo chefe de segurança da empresa, Mark Bly, mais um time de 50 pessoas, a maioria empregados da empresa, o inquérito foi iniciado dias depois da explosão que matou 11 pessoas e derrubou quase cinco milhões de barris de óleo no Golfo do México, ocorrida em 20 de abril.

 

Menos uma mea culpa do que um exercício de relações públicas, o relatório de 193 páginas poderia ser visto também como uma prévia da estratégia legal da BP - já que a companhia se prepara para se defender contra possíveis queixas civis e criminais, sanções federais e centenas de processos.

 

De acordo com a matéria do The New York Times, o relatório tira o foco de atenção da BP e volta-se para seus contratantes, especialmente a Transocean, propietária da plataforma, e a Halliburton, que a cimentou. O documento também foca menos as decisões da BP no tocante à concepção e perfuração da plataforma do que aquilo que fizeram os trabalhadores da Transocean pouco antes da explosão.

 

Das oito 'descobertas cruciais' que o relatório aponta, a BP admite ser parcialmente culpada por uma das causas da explosão, e diz que essa culpa é compartilhada com a Transocean, que teria interpretado mal alguns testes de pressão que teriam sido o prenúncio da explosão.

 

A estratégia legal central da BP está calcada na rejeição do argumento de que a companhia agiu com alto índice de negligência no caso. Até o fim, o documento minimiza a probabilidade do design da plataforma ter influenciado decisivamente a explosão. "Para simplificar: foi feito um péssimo trabalho na hora de cimentar a plataforma e houve uma falha na barreira de contenção colocada no fundo do poço, que deixou os hidrocarbonetos do reservatório dentro do invólucro de produção", disse o chefe executivo da empresa, Tony Hayward.

 

"Com base nesse relatório, poderia parecer improvável que o design da plataforma contribuiu para o acidente, pois a investigação descobriu que os hidrocarbonetos fluíram para o invólucro de produção a partir do fundo do poço", diz o documento.

 

A Transocean, que também está conduzindo uma investigação, discordou, argumentando que o design da plataforma teve um papel significante no acidente, e acusando a BP de ter tomado decisões para cortar custos que aumentaram o riso de acidentes, "em alguns casos, severamente".

 

Segundo a matéria, BP também usou o relatório para "apontar o dedo" para a Halliburton por seu trabalho na hora de cimentar a plataforma. A Halliburton desenhou e bombeou uma vedação de cimento que, de acordo com os investigadores, pode ter permitido que um gás natural explosivo subisse para a plataforma.

 

Em um comunicado, a Halliburton rejeitou essa visão. "O proprietário do bem é responsável por elaborar os testes relacionados à segurança do patrimônio", escreveram os executivos da empresa.

 

Uma questão legal importante que está em curso refere-se à falha no dispositivo que previne contra explosões, que só recentemente foi retirado do fundo do mar. Como o dispositivo foi produzido pela Cameron, e então comprado pela Trasnocean, responsável também por sua manutenção, a BP pode não ser a única companhia a contabilizar suas falhas no ocorrido.

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