Antonello Veneri/AFP
Antonello Veneri/AFP

Bolsonaro insinua que derrame de óleo poderia ser ação criminosa para prejudicar leilão de petróleo

“Poderia – os senhores não precisam responder não – ser uma ação criminosa para prejudicar esse leilão?”, disse dirigindo-se ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e representantes da Marinha. Ninguém respondeu

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2019 | 11h31

Em uma live na manhã desta sexta-feira, 18, o presidente Jair Bolsonaro insinuou que o derramamento de petróleo que atinge o litoral do Nordeste poderia ter alguma relação com o leilão de petróleo. “Poderia – os senhores não precisam responder não – ser uma ação criminosa para prejudicar esse leilão?”, disse dirigindo-se ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e representantes da Marinha.

Depois de o almirante Leonardo Puntel fazer uma rápida explicação sobre as ações do Grupo de Acompanhamento e Avaliação, composto por representantes da Marinha, do Ibama e da Agência Nacional do Petróleo, frisando que os trabalhos ocorrem desde o dia 2 de setembro, Bolsonaro questionou sobre as investigações.

Segundo ele, já se sabe que o petróleo não é fabricado no Brasil nem importado pelo País. “Com toda certeza, não vou bater o martelo aqui, esse petróleo seria da Venezuela?”, perguntou a Puntel. “É uma possibilidade”, respondeu o almirante.

Azevedo e Silva disse depois que “o importante é que provavelmente seja um crime ambiente”. Ao que Bolsonaro comentou: “Coincidência, ou não, temos aí o leilão da sessão onerosa. Eu me pergunto, mas a gente tem de ter muita responsabilidade no que fala... Poderia – os senhores não precisam responder não – ser uma ação criminosa para prejudicar esse leilão? É uma pergunta que está no ar.”

Ninguém respondeu.

Nesta quinta-feira, pesquisadores da Coppe/UFRJ divulgaram um estudo com modelagem computacional que estimou o ponto de origem das machas de óleo em uma região entre 600 km e 700 km da costa, na altura de Sergipe e Alagoas. Trabalhando com uma técnica de imagem reversa, eles estabeleceram trajetórias para trás das manchas encontradas nas praias do Nordeste entre 2 e 22 de setembro no litoral.

O governo tem sido questionado por ter demorado a reagir. Ministério Público, técnicos ambientais e cientistas têm dito que o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC), estabelecido por decreto em 2013, não foi acionado. O governo nega.

Na live, Bolsonaro disse diversas vezes que as ações estão sendo realizadas desde o início do problema.

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