Adema/Agência Sergipe de Notícias
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Bolsonaro diz ter certeza de que óleo foi ação criminosa, mas volta atrás

'Não temos bola de cristal', afirma o presidente; segundo ele, Amazônia é um 'patrimônio do Brasil', não 'pulmão do mundo'

André Ítalo Rocha, Circe Bonatelli, Isadora Duarte e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2019 | 11h18
Atualizado 10 de outubro de 2019 | 17h09

SÃO PAULO - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) comentou sobre o derramamento de petróleo que atinge o litoral de todos os Estados do Nordeste. "Com toda certeza houve derramamento criminoso de petróleo na região costeira", disse. Logo depois, porém, o presidente voltou atrás e afirmou não ter certeza sobre o fato ter sido criminoso.

"Tenho quase certeza. Não temos bola de cristal para descobrir rapidamente quem é o responsável pelo ato criminoso, mas tomamos as providências", ponderou o presidente, durante o Fórum de Investimentos Brasil 2019.

O evento, realizado em São Paulo, é organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

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Bolsonaro disse que o governo enfrenta pressão da mídia com o desconhecimento dos fatos sobre as questões ambientais e elogiou a ação dos ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que "prontamente" se dispuseram para resolver a situação.

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Não temos bola de cristal para descobrir rapidamente quem é o responsável pelo ato criminoso, mas tomamos as providências
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Jair Bolsonaro, presidente da República

Amazônia: 'patrimônio do Brasil', e não 'pulmão do mundo'

Ainda sobre o meio ambiente, o presidente voltou a defender que a Amazônia é uma patrimônio do Brasil, e não do mundo.

"Amazônia é patrimônio do Brasil, não é pulmão do mundo. O que queremos para o Estado do Amazonas e para floresta é explorar de forma sustentável", disse Bolsonaro. "Queremos casar (a preservação ambiental) com o progresso. Isso que está aqui é nosso, pode ser explorado e pode ser preservado para o bem de todos nós. Nós temos que fazer este casamento. O Brasil tem o que qualquer outro país não tem", enfatizou o presidente.

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Queremos casar (a preservação ambiental) com o progresso. Isso que está aqui é nosso, pode ser explorado e pode ser preservado para o bem de todos nós
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Jair Bolsonaro, presidente da República

Acompanhado de dez de seus 22 ministros, Bolsonaro repetiu trechos do discurso na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), mas adotou um tom menos agressivo.

As exceções foram o cacique Raoni, que segundo Bolsonaro tinha o monopólio do debate sobre a Amazônia,  e a imprensa, alvo contumaz do presidente. 

Bolsonaro chegou a brincar com o aumento da incidência de incêndios e queimadas na região.

"Aproveito a oportunidade para convidar as pessoas de fora que estão aqui. Conheçam a Amazônia. Vocês não serão queimados. Podem ter certeza. Afinal de contas o que muitas vezes muitos jornais e televisões mostram não é a realidade", disse ele.

Em relação à necessidade de mudanças na legislação, o presidente citou os casos de Mato Grosso e Roraima.

O Estado amazônico, onde grande parte do território é tomado por reservas ianomâmis, foi objeto de quase um terço do discurso de Bolsonaro, que defendeu mudanças na legislação para possibilitar a exploração de minério em Roraima. 

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