Carolina Antunes/PR
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Bolsonaro pede ajuda a Trump e aguarda telefonema de Merkel

Chanceler e Eduardo Bolsonaro viajaram aos EUA para se reunir com o presidente americano e, segundo o presidente brasileiro, devem 'trazer novidades'

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 09h53
Atualizado 01 de setembro de 2019 | 23h09

BRASÍLIA - Após rejeitar o envio de US$ 20 milhões, o equivalente a R$ 83 milhões, anunciado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, em nome do G-7, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pediu ajuda ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele enviou o chanceler Ernesto Araújo e um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para se reunir com o líder americano nesta sexta-feira, 30. Segundo Bolsonaro, os dois devem "trazer novidades". 

"Talvez tenha uma novidade logo mais. O Ernesto e o Eduardo estão lá nos Estados Unidos. Talvez eles tenham algo para nos adiantar sobre a conversa com o Trump. Eu pedi para o Trump nos ajudar", disse Bolsonaro após ser questionado sobre os recursos oferecidos pelo G-7. "O Trump tem dito também que não poderiam tomar uma decisão sem ouvir o Brasil. O Brasil é amigo de todo mundo, e eu sou diplomata. Eu sou uma pessoa afeta ao diálogo."

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O Brasil é amigo de todo mundo, e eu sou diplomata. Eu sou uma pessoa afeta ao diálogo.
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Jair Bolsonaro, presidente da República

Em queda de braço com o presidente francês, Bolsonaro também aguarda nesta sexta uma ligação da chanceler alemã, Angela Merkel. De acordo com ele, foi Merkel quem pediu a conversa.

"Está previsto o telefonema com a Merkel, sim. Ela começou com um tom, depois foi para a normalidade", disse o presidente. Ele afirmou que não sabe qual assunto vai ser tratado.

Questionado sobre os comentários que fez depois de o país suspender recursos do Fundo Amazônia, quando disse que a Alemanha deveria pegar um recurso para reflorestar o próprio país, Bolsonaro falou que a mensagem valia para toda a Europa.

"Você quer complicar agora, né? Ela (Merkel) quer namorar comigo, você quer complicar. Não é só a Alemanha, é a Europa toda, junta, não tem lições para nos dar no tocante à preservação do meio ambiente", respondeu Bolsonaro sobre a declaração. 

Na manhã desta sexta, Bolsonaro também voltou a criticar o presidente francês, Emmanuel Macron, e afirmou que só aceitará conversar com ele se houver uma retratação sobre ter dito que a internacionalização da Amazônia está em aberto.

"Estou pronto a conversar com qualquer um, exceto nosso querido Macron, a não quer que ele se retrate sobre a nossa soberania da Amazônia", afirmou Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, pela manhã.

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Estou pronto a conversar com qualquer um, exceto nosso querido Macron, a não quer que ele se retrate sobre a nossa soberania da Amazônia.
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Jair Bolsonaro, presidente da República

Indagado se ainda poderia aceitar recursos do G-7, ele disse que Macron tentou doar para o Brasil em nome do grupo, o que não seria verdade.

"Qualquer recurso de um país ou outro a gente conversa. Agora, o Macron quer doar em nome do G-7. Isso não é verdade."

O presidente não quis responder perguntas sobre ter apagado uma publicação na qual zombava da primeira-dama da França, Brigitte Macron

'As embaixadas não têm minha fotografia. Não sou narcisista, não'

Bolsonaro reclamou que embaixadores evitam colocar a sua fotografia em postos do Brasil no exterior e defendeu que os diplomatas precisam "levar a verdade" aos outros países.

"As embaixadas não têm minha fotografia. Não sou narcisista, não. É uma questão de protocolo. Não tem. Será que tem embaixador pensando no Lula Livre um dia ainda? Pelo amor de Deus", disse o presidente.

Suspensão da compra de couro e curtume do Brasil

Bolsonaro falou sobre o assunto ao ser questionado sobre a decisão da VF Corporation, empresa dona de marcas como Timberland, The North Face, Kipling e Vans, de suspender a compra de couro e cortume do Brasil

Ele chegou a dizer inicialmente que a suspensão era "fake news", mas, após ser informado de que houve confirmação por parte da empresa, Bolsonaro disse que vai conversar com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, sobre o assunto. 

"É precipitado também", avaliou sobre a decisão da empresa.

O assunto surgiu na quarta, 28, quando foi divulgado o conteúdo de uma carta do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mencionando "suspensão de compras de couros a partir do Brasil de alguns dos principais importadores mundiais". A carta dizia que a suspensão representava uma "informação devastadora". 

Pouco tempo depois, o presidente da entidade, José Fernando Bello, disse que foi um "erro de pré-avaliação" da entidade.

"A carta foi divulgada (pelo próprio CICB) antes da checagem com a empresa importadora", disse Bello. "Esse importador estaria supostamente suspendendo as compras. Foi um equívoco nosso. Vamos corrigir a informação junto ao governo federal."

O Estado questionou diretamente a VF Corporation sobre o assunto, e a empresa confirmou a suspensão.

O presidente elogiou o embaixador do Brasil na França, o diplomata Luís Fernando Serra, que deu entrevistas e participou de um programa na TV francesa na semana passada para defender o discurso do governo sobre a crise ambiental na Amazônia. 

"Nossas embaixadas têm que levar a verdade. Como o embaixador Serra, que tem se saído muito bem na França, participando, respondendo em francês, inclusive, aos injustos ataques que o Brasil vem sofrendo", considerou Bolsonaro.

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