Bolsonaro diz que Greenpeace é ‘lixo’

ONG fundada em 1971 afirmou que Conselho da Amazônia criado pelo presidente 'não tem plano, meta ou orçamento'

Julia Lindner - O Estado de S.Paulo

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar por R$ 0,99

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar por R$ 0,99

Você leu 4 de 5 matérias gratuitas do mês

ou Assinar por R$ 0,99

Essa é sua última matéria grátis do mês

ou Assinar por R$ 0,99

O presidente Jair Bolsonaro chamou de "lixo" a organização ambiental Greenpeace, na manhã desta quinta-feira, 12. Ele reagiu às críticas da ONG, fundada em 1971 , sobre a reformulação do Conselho Nacional da Amazônia Legal

"Quem é Greenpeace? Quem é essa porcaria chamada Greenpeace? Isso é um lixo. Outra pergunta", disse Bolsonaro ao deixar o Palácio da Alvorada. Em nota, o Greenpeace destacou que a o conselho será formado exclusivamente pelo governo federal, sem participação dos governadores dos estados da Amazônia.

Gravação de pronunciamento do Presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre os incendios e desmatamento na Amazônia e o uso do Exército.  Foto: Carolina Antunes/PR

"Se você quiser que eu bote governadores, secretários de grandes cidades, vai ter 200 caras. Sabe o que vai resolver? Nada. Nada”, disse Bolsonaro, que acrescentou: “Tem bastante ministros. Nós não vamos tomar decisões sobre estados da Amazônia sem conversar com governador, com a bancada do estado. Se botar muita gente é passagem aérea, hospedagem, uma despesa enorme, não resolve nada”, reagiu Bolsonaro.

Para o Greenpeace, o Conselho da Amazônia "não tem plano, meta ou orçamento". "Ele (o Conselho) não anulará a política antiambiental do governo e não tem por finalidade combater o desmatamento ou o crime ambiental. Os governadores, indígenas e a sociedade civil não fazem parte da sua composição", disse a entidade internacional.

No texto, o Greenpeace também fala que a transferência do conselho do Ministério do Meio Ambiente para a vice-presidência da República tenta "minimizar o impacto negativo da gestão do ministro Ricardo Salles".

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atacou o Greenpeace ligando organização ao vazamento de óleo no Nordeste Foto: Adriano Machado/ Reuters

"Bolsonaro retirou o Ministro do Meio Ambiente do comando de políticas ambientais para a Amazônia e espera que isto já seja o suficiente para enganar a opinião pública e os investidores internacionais. Mas os resultados continuarão sendo medidos diariamente pelos satélites que medem o desmatamento", disse.

Após as declarações, a entidade se manifestou e afirmou que a postura de Jair Bolsonaro não é condizente com o cargo que ocupa. Em nota, a Greenpeace afirmou que "o incômodo de quem destrói o meio ambiente soa como elogio". E que continuará atuando em defesa do meio ambiente e dos direitos dos povos indígenas "irrite a quem irritar".

"O Greenpeace Brasil lamenta que um Presidente da República apresente postura tão incondizente com o cargo que ocupa", diz o início do texto.

O Greenpeace alega que tem "criticado e combatido as políticas do governo que levaram ao aumento do desmatamento e ao desmantelamento dos órgãos de fiscalização", além de de se posicionar contra "os absurdos ataques aos direitos dos povos indígenas".

"Ao longo da história, nossa postura crítica a quem promove a destruição ambiental já causou muitas reações desequilibradas dos mais diferentes personagens. Estamos apenas diante de mais uma delas. Nestes casos, o incômodo de quem destrói o meio ambiente soa como elogio", afirma a ONG.

O Greenpeace destaca que é uma organização sem fins lucrativos, que possui independência financeira e política. "Continuaremos trabalhando incansavelmente na defesa do meio ambiente, da democracia e dos direitos das populações. Irrite a quem irritar."

A organização existe há quase meio século e está presente em 55 países. No Brasil, atua há 28 anos. 

Ministério

Em conversa com jornalistas, Bolsonaro disse que cogita criar um ministério extraordinário para cuidar de assuntos da floresta amazônica. A sugestão teria partido do deputado Átila Lins (PP-AM), que esteve com Bolsonaro pela manhã.

A decisão, no entanto, dependeria de uma avaliação sobre seu impacto econômico. Além disso, Bolsonaro indicou que espera a aprovação do projeto sobre autonomia do Banco Central para considerar a criação de outra pasta.

Tudo o que sabemos sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato