Bolsonaro apagou ofensa a esposa de Macron para evitar dupla interpretação, diz porta-voz

Bolsonaro apagou ofensa a esposa de Macron para evitar dupla interpretação, diz porta-voz

O presidente brasileiro havia reagido com risadas a um comentário com fotos dos dois chefes de Estado com suas respectivas primeiras-damas. Situação gerou crítica do presidente francês

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 20h30

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) apagou foto com ofensa a Brigitte Macron, esposa do presidente da França, Emmanuel Macron, para evitar dupla interpretação, disse o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, nesta quarta-feira, 28. "A fim de evitar dupla interpretação o comentário foi retirado da rede social", disse. 

No fim de semana, o presidente brasileiro reagiu com risadas a um comentário em que um seguidor da sua página no Facebook postou fotos dos dois chefes de Estado com suas respectivas primeiras-damas, afirmando que Macron teria inveja de Bolsonaro. "Não humilha cara. Kkkkkkk", escreveu Bolsonaro em rede social como resposta ao apoiador.

Perguntado sobre o comentário por jornalistas, Bolsonaro ficou irritado e encerrou coletiva à imprensa na terça-feira, 27. "Se continuar pergunta desse padrão vai acabar a entrevista. Meu comentário era para não insistir nesse tipo de postagem. Realmente, o jornalismo, vocês não merecem consideração", declarou Bolsonaro.

Nesta segunda-feira, 26, Macron lamentou os comentários "extremamente desrespeitosos". "Bolsonaro fez comentários extremamente desrespeitosos sobre minha mulher. O que eu posso dizer? É triste, mas é triste primeiro por ele e pelos brasileiros. Como tenho uma grande amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que tenham rapidamente um presidente que se comporte à altura."

Bolsonaro conversa com primeiro-ministro de Portugal

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) conversou nesta quarta-feira, 28, com o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, sobre a crise ambiental na Amazônia. 

Segundo o porta-voz da Presidência, o general Otávio Rêgo Barros, os chefes de Estado trataram "prioritariamente da importância da ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia". Além disso, segundo o militar, Bolsonaro atualizou Costa sobre as queimadas e desmatamentos na floresta. 

A conversa sinaliza apoio externo a Bolsonaro em meio a troca de acusações do governo brasileiro com o presidente da França, Emmanuel Macron. O Planalto não informou se Portugal ofereceu recursos ou equipamentos, como aeronaves, para ajudar no combate às chamas.  

O porta-voz reforçou que Bolsonaro concorda com reunião de países amazônicos sobre a crise, mas disse que não há definição sobre datas e local do encontro. 

Presidente mantém ideia de não autorizar novas demarcações de terras indígenas

Rêgo Barros disse que Bolsonaro mantém ideia de não autorizar novas demarcações de terras indígenas e áreas de proteção ambiental. O presidente faz críticas às demarcações desde a campanha. 

Em reunião com governadores na terça-feira, 27, convocada para discutir incêndios na Amazônia, Bolsonaro aproveitou para afirmar que as demarcações atendem a interesses diferentes da preservação da cultura indígena e inviabilizam o desenvolvimento econômico do País.

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