Bolha de metano causou explosão de plataforma no Golfo do México

Entrevistas com sobreviventes da catástrofe sugerem que gás subiu pela coluna de perfuração

Associated Press

08 Maio 2010 | 12h19

Explosão letal de uma plataforma de petróleo no golfo do México foi desencadeada por uma bolha de metano que escapou do poço e disparou para cima, pela coluna de perfuração, expandindo-se rapidamente ao eclodir através de diversos lacres e barreiras antes de explodir, de acordo com entrevistas com funcionários da plataforma entrevistados pela empresa responsável, a British Petroleum (BP), que conduz uma investigação interna do caso.

 

Domo para conter vazamento chega ao fundo do mar no Golfo do México

 

Embora a determinação da causa oficial da explosão ainda esteja dependa da conclusão da investigação, a sequência de eventos descrita nas entrevistas representa o relato mais detalhado dos acontecimento de 20 de abril, que causaram a morte de 11 pessoas e liberaram um vazamento submarino que libera milhões de barris de óleo cru no Golfo do México.

 

Partes das entrevistas, duas transcritas e uma gravada, foram descritas em detalhes por Robert Bea, em professor de engenharia da Universidade da Califórnia que atua no comitê de segurança de oleodutos da Academia Nacional de Engenharia dos EUA e trabalhou para BP como consultor de análise de riscos. ele recebeu os relatos de colegas que queriam sua opinião sobre o caso.

 

Um grupo de executivos da BP estava a bordo da plataforma para celebrar seu recorde de segurança, dizem as transcrições. Enquanto isso, a estrutura estava sendo convertida de plataforma de exploração em plataforma de produção.

 

Com base nas entrevistas, Bea acredita que os trabalhadores estabeleceram e testaram um lacre de concreto no fundo do poço. Eles em seguida reduziram a pressão na coluna de perfuração e tentaram montar um segundo lacre, abaixo do leito marinho. Uma reação química causada pelo cimento criou o calor e uma bolha de gás que destruiu o lacre.

 

No leito do fundo do mar, o metano encontra-se numa forma gelatinosa e cristalina. Perfuradores de profundidade frequentemente encontram bolsões de cristais de metano ao escavar a terra.

 

À medida que a bolha subia pela coluna de perfuração, deixando as regiões de alta pressão do fundo e entrando na parte rasa, de pressão menor, ela cresceu, violando várias barreiras de segurança, disse Bea. "Uma bolha pequena vira uma bola muito grande", disse ele. "A bolha em expansão torna-se algo como um canhão disparando gás na sua cara".

Na plataforma, a primeira coisa que os funcionários notaram foi água do mar sendo disparada para fora da coluna de perfuração, atingindo 80 metros de altitude, disse ele. Em seguida, o gás chegou à superfície, seguido de petróleo.

"O que eu aprendi quando trabalhava na perfuração de petróleo é 'swoosh, boom, corra'", disse Bea. "'swoosh' é o gás escapando, boom é a explosão, e corra é o que você deve fazer". O gás teria inundado uma sala ao lado onde haveria fontes de ignição, segundo ele.

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