Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

BNDES lança financiamento coletivo e quer arrecadar R$ 500 milhões para restaurar florestas nativas

Anúncio foi feito pelo presidente do banco, Gustavo Montezano, em apresentação no pavilhão do Brasil durante a COP-26, que ocorre em Glasgow. Empresas que aportarem recursos terão doações dobradas

Bruno Villas Bôas e Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2021 | 14h01

RIO E SÃO PAULO - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou nesta quarta-feira, 10, um financiamento coletivo com objetivo de arrecadar até R$ 500 milhões para apoiar programas de restauração de florestas nativas e bacias hidrográficas. Chamado de “Floresta Viva”, o "matchfunding" prevê que as empresas que aportarem recursos terão suas doações dobradas, com aporte do BNDES.

O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, apresentou o novo programa no pavilhão do Brasil durante a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-26), em Glasgow, na Escócia. Montezano explicou que os recursos serão aplicados na recuperação de florestas em áreas de proteção permanente e áreas de reserva legal de pequenas propriedades.

Para viabilizar a iniciativa, o BNDES conversou com mais de 40 empresas. Em sua primeira fase, a Floresta Viva vai dispor de, pelo menos, R$ 140 milhões, sendo metade do BNDES. Já confirmaram participação Petrobras, Vale (Fundo Vale), Heineken, Itaipu Binacional, Coopercitrus, Philip Morris Brasil e Estado do Mato Grosso do Sul. Outras instituições estão em negociação para aderir ao projeto. 

“Mesmo antes de fazer publicamente a chamada, vamos largar com sete parceiros. É uma variedade grande de empresas, públicas e privadas, abertas e fechadas, brasileiras e internacional”, disse Montezano. “São recursos não reembolsáveis, mas o crédito de carbono gerado pode voltar para a empresa, para ser negociado e aposentado. As empresas podem ter até lucro”. 

As iniciativas de reflorestamento de terras indígenas, quilombolas ou de comunidades tradicionais também serão contempladas pelo programa do banco. O programa almeja restaurar de 17 mil a 33 mil hectares de mata nativa em todo o país. Nos cálculos do banco, isso seria suficiente para remover algo como 9 milhões de toneladas de carbono equivalente da atmosfera em 25 anos.

 


O programa tem previsão de duração de sete anos, com possível extensão por mais dois anos. Os recursos serão aplicados na aquisição de sementes, mudas, insumos, equipamentos e cercas, além da implantação de viveiros de mudas e capacitação profissional. Segundo o banco, são passíveis de apoio as atividades para elaboração, aprovação, validação, verificação e emissão de créditos de carbono associadas aos projetos.

O banco detalhou que os recursos serão geridos por uma gestora com experiência em projetos ambientais, a ser selecionada por meio de edital. A ideia é que a seleção ocorra até o fim do ano. Já a primeira chamada de projetos do programa pode ocorrer até o fim do primeiro trimestre de 2022. A ideia é que cada projeto possa receber investimento de, no mínimo, R$ 5 milhões.

Montezano disse que o banco tem em carteira R$ 120 bilhões em “financiamento verde” para os próximos cinco anos, sem contar capital imobilizado por outras instituições.

“Estamos realocando o Estado, diminuindo de uma lado e aumentando no social e ambiental”, disse Montezano. Ele afirmou que o desafio do País atualmente está no social, que teria um desafio relevante com o aumento da pobreza e da miséria, especialmente após a pandemia. “Quando falamos de Brasil, inclusão social é o grande desafio”, disse ele.

Sobre a redução do tamanho do Estado, Montezano lembrou que os leilões de 5G e da Nova Dutra, realizados na semana passada, preveem quase R$ 60 bilhões de investimentos.

BB estuda mecanismo para compensar agricultores

O presidente do Banco do Brasil (BB), Fausto Ribeiro Neto, disse nesta quarta-feira, 10, que estuda mecanismos para que os agricultores brasileiros sejam compensados pela preservação de reservas legais e áreas de proteção nas próprias propriedades rurais.

Ribeiro disse que os agricultores só conseguem, em média, produzir em 50% de suas propriedades. Segundo ele, são áreas que não geram renda aos agricultores e ainda teriam custos de preservação de cerca de R$ 15 bilhões por ano.

“São áreas sujeitas a autuações, se tiveram invasões de animais, incêndios, extração ilegal de madeira”, disse ele. “O agricultor precisa de compensação. Sabemos que o crédito de carbono precisa decolar”, acrescentou, sem detalhar os mecanismos em estudo.

O presidente do BB participa nesta quarta-feira do evento Crescimento Verde, realizado no pavilhão do Brasil durante a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-26), em Glasgow, na Escócia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.