Blairo Maggi quer revisão de dados sobre desmatamento

O governador disse considerar que a divulgação dos números faz parte de uma briga entre ministérios por verba

José Maria Tomazela e Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo,

28 de janeiro de 2008 | 16h46

overnador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), vai sugerir ao governo uma revisão nos números sobre o desmatamento na Amazônia. Ele acha que, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) admitiu erro nos números referentes a um período do ano passado, pode ter havido diferença também em anos anteriores. "Será que os números que nós divulgamos até hoje são corretos? Temos mesmo 17% da Amazônia ocupados? Acho que o correto é rever tudo", disse.     Números do desmatamento Governo proíbe derrubada de mata em 36 cidades da Amazônia   Ele vai propor ao governo que, daqui para a frente, os números levantados pelo Inpe sejam confrontados com aqueles apurados pelos Estados. "Para evitar o que houve, acho que os dados que os Estados e o Inpe têm devem ser compartilhados previamente. Às vezes, as metodologias usadas são conflitantes."   O governador admitiu que ficou "muito desconfortável" com a divulgação dos números que detectaram um crescimento nas áreas desmatadas no Estado. "Todos os indicativos que tínhamos apontavam numa direção oposta", afirmou.     Como exemplo, citou que áreas abertas há muito tempo, já incluídas em estatísticas anteriores, voltaram a ser consideradas como desmatamento recente. "Não vou aceitar que o Mato Grosso fique numa estatística que não está correta."    Dos 3.233 km² de derrubada detectados pelo Sistema de Desmatamento em Tempo Real (Deter) entre agosto e dezembro, 1.786 km² seriam no Estado. Para Maggi, a checagem feita pelos técnicos nas áreas indicadas pelo Deter entre abril e setembro de 2007 mostra que mais de 80% delas são desmatamentos antigos.    O governador disse considerar que a divulgação dos números faz parte de uma briga entre os ministérios pelo Orçamento da União, que ficou reduzido em razão do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "Como o dinheiro da CPMF vai ter que ser cortado de alguém, de quem tem mais problema não corta", disse, numa referência ao Ministério do Meio Ambiente. "Não estou afirmando que é isso, mas pode ser."   No domingo, o Estado revelou que os números divulgados pelo Inpe, em outubro, sobre o desmatamento na Amazônia estavam errados.   Os dados mostravam que a taxa de derrubada da floresta havia aumentado 8% nos meses de junho a setembro em comparação com o mesmo período de 2006 - incluindo um aumento explosivo de 600% dos índices em Rondônia. A área desmatada de fato, porém, foi bem menor do que o divulgado.   Segundo o novo relatório, o desmatamento em agosto na Amazônia foi de 243 quilômetros quadrados, e não 723 km², como divulgado em outubro - uma redução de 66%. Com relação a setembro, a estimativa foi reduzida de 1.424 km² para 632 km² desmatados - diferença de 55%.   Os números revisados para junho e julho não foram divulgados pelo Inpe, por isso não foi possível calcular a variação acumulada dos quatro meses.   Em Rondônia, o desmatamento foi bem menor do que o originalmente divulgado. Em agosto, foram derrubados 54 km² de floresta, e não 179 km². Em setembro, o número foi corrigido de 295 km² para 84 km². Todos os outros Estados da Amazônia também tiveram desmatamento menor do que o divulgado em outubro.

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