Blair diz que o importante é ter um acordo

Blair diz que o importante é ter um acordo

Para ex-primeiro ministro britânico, metas de emissões são detalhes que devem ficar para depois

Reuters

13 Dezembro 2009 | 16h28

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair disse no domingo que um acordo global para combater as alterações climáticas estava ao alcance e que os países deveriam se preocupar menos com os detalhes da redução da poluição até 2050 e mais em abraçar um "quadro" para um futuro de baixo carbono.

 

"Nós temos ao nosso alcance os principais elementos que são necessários para um acordo. Não será tudo o que todo mundo quer", disse Blair, em uma entrevista de bastidores, ao sair de uma reunião internacional sobre alterações climáticas. "Mas vai ser um avanço para o mundo ".

   

Blair acrescentou: "O importante agora é fazer a coisa acontecer, e deixar os ajustes necessários para mais tarde".  Ele disse que a incapacidade de produzir um acordo em Copenhague vai criar tumulto para a comunidade empresarial, além de impor uma "corrida contra o tempo" para o planeta.  "Há uma incerteza muito grande entre os investidores que querem apostar em energia limpa e alternativa. Eles precisam ter certeza sobre seus investimentos". 

 

Segundo ele, mesmo que o mundo não possa aceitar um corte de 25% a 40% nas emissões de carbono, um acordo que inclua reduções menos ambiciosas do que estas, mas significativas, podem ir "levando as pessoas a ajustar suas decisões de investimento, colocando o processo em curso".

 

Espera-se que a Conferência de Copenhague, que reúne 192 nações, culmine com um acordo de definição de metas ambiciosas de redução das emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Blair acha que o foco está equivocado. "Eu focaria menos em metas precisas de redução de emissões neste exato momento. Acredito que se deve concentrar totalmente em um quadro realista para um futuro de baixo carbono ".

 

Na primeira semana de reuniões, países como China e os pequenos estados insulares criticaram os Estados Unidos e outros importantes países desenvolvidos por oferecerem metas insuficientes de redução das emissões de carbono. "É absolutamente inevitável a existência de ruídos e críticas em torno de uma negociação como esta. Eu acho, apenas,  que nós temos de nos voltar ao que é essencial para um acordo", analisa Blair.

 

Ex primeiro-ministro britânico por uma década, Blair fundou O Grupo do Clima, que no domingo

divulgou um documento intitulado "Quebrando o impasse do clima". O relatório mapeia o foco dos negociadores: definição de metas para a redução da queima de carvão e petróleo, estabelecimento de mecanismos de controle sobre os progressos futuros e garantia de que os países ricos fornacerão ajuda financeira aos países pobres, para ajudá-los a lidar com o problema.

 

"É preciso uma mudança radical para colocar o mundo em um caminho de baixo carbono, mas é preciso um planos de ação mais realista", aconselhou Blair. "Não se pode pedir que os governos se comprometam a fazer coisas que não vão fazer ou não vão poder fazer".

 

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