Bem-vindo a Tucumã, onde não há mais nada a desmatar

Da floresta original, restam apenas 11,62% de mata, salva por se encontrar em morros altos ou áreas alagadas

João Domingos e Beto Barata,

30 de janeiro de 2008 | 22h56

Quando alguém encontra uma placa com a expressão "amre abôi mex" escrito ao lado de bem-vindos e welcome, imagina logo que signifique bem-vindo. Mas, em qual língua? Foi esta a pergunta que o repórter fotográfico Beto Barata e eu nos fizemos quando cruzamos o limite entre os municípios de Ourilândia e Tucumã, na região centro-sul do Pará, atrás de notícias sobre a devastação da floresta. Como a placa era patrocinada pela Prefeitura de Tucumã, decidimos perguntar ao prefeito qual era aquela língua. No sobrevôo, a constatação de desmatamentos no MTCidade em área de desmatamento tem duas ruas e três policiaisÁreas de desmatamento têm maior índice de homicídios Em Cumaru, devastação chega aos morros Números do desmatamento Amazônia - especial Alan de Souza Azevedo, o prefeito, um engenheiro florestal formado em Viçosa, Minas Gerais, nos contou que a expressão está na língua dos índios caiapós, que têm 17 aldeias na região. O prefeito nos informou também que Tucumã é o segundo maior produtor de cacau do Estado do Pará. Neste ano, deverá exportar perto de 2,2 mil toneladas do produto, pelo Porto de Ilhéus, na Bahia. Tucumã é um município pequeno, com menos de 3 mil quilômetros quadrados. Não tem mais o que desmatar. Da floresta original, restam apenas 11,62% de mata. Essa parte foi salva por se encontrar em morros muito altos ou áreas tão baixas que passam a maior parte do tempo alagadas.

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