Ernesto Galiotto/Divulgação
Ernesto Galiotto/Divulgação

Banco Mundial investiu somas recorde em ‘energia suja’

Entre 2009 e 2010, US$ 4,4 bilhões foram investidos em termelétricas

The Guardian

16 de setembro de 2010 | 15h21

Somas recorde estão sendo investidas pelo Banco Mundial na geração de energia pela queima de carvão - que, em termos de emissão, é a forma mais intensiva de obtenção de energia do mundo. O investimento acontece a despeito do compromisso de reduzir as emissões de carbono que geram aquecimento global.

 

O Banco Mundial afirmou esta semana que um total de US$ 3,4 bilhões - ou um quarto de todos os fundos existentes para projetos de energia - foram gastos até junho deste ano para bancar a construção de novas estações de geração de energia movidas a carvão, incluindo a controversa usina Medupi, na África do Sul. No mesmo período o banco gastou U$ 1 bilhão em prospecção de óleo e gás.

 

Contudo, o Centro de Informações Bancárias, que examinou os gastos, discordou da soma veiculada e afirmou que a soma investida pelo Banco Mundial em projetos de geração de energia a partir do carvão foi de US$ 4,4 bilhões no ano fiscal de 2009/2010.

 

A discrepância é atribuída a não inclusão de US$ 1 bilhão investido na Índia na construção de uma rede de transmissão de energia entre estações movidas à carvão. O Banco entende que não deve computar essa soma, em não se tratando de investimento direto na construção de termelétricas.

 

Grupos ambientalistas afirmam que os gastos com carvão no período 2009/1010 foram quarenta vezes maiores do que cinco anos atrás, e reclamaram de "incoerência no cerne da filosofia do Banco Mundial em termos de investimentos em energia" que poderia prejudicar tentativas de longo prazo de reduzir emissões de carbono e outros gases causadores do efeito estufa de usinas como estas.

 

"Ao mesmo tempo que o banco está querendo obter controle sobre os bilhões que serão canalizados para os países em desenvolvimento para ajudá-los a lidar com o aquecimento global, continua emp´restando quantias altíssimas para financiar geração de energia através do carvão", disse Alison Doig, conselheiro senior em mudancças climáticas da Christian Aid.

 

"Nós sabemos que o carvão é o mais sujo de todos os combustíveis fósseis - aquele que mais contribui para a crise climática que está tendo efeitos devastadores sobre a vida das pessoas, sobretudo os mais pobres. Nós também sabemos que ao financiar aconstrução de usinas termelétricas o banco está condenando os países a usar carvão pelos próximos 40, 50 anos", completa.

 

O Banco Mundial defendeu seus empréstimos dizendo que as previsões para 2010 foram distorcidas por dois grandes projetos em Botswana e África do Sul. Afirma ainda que desde 2005 investiu US$ 4,5 bi em energia oriunda do carvão contra US$ 12 bi em energias renováveis, incluindo um recorde de investimento nesse setor no ano passado.

 

Roger Morier, porta-voz do Banco, declarou que as usinas de carvão foram subsidiadas apenas em "circunstâncias excepcionais, em países que não tinham outra opção de fontes geradoras de energia". Segundo ele "o portfolio de energia do banco está orientado para as energias renováveis e para a eficiência energética".

 

 

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