Banco Mundial anuncia criação de fundo contra desmatamento

O Banco Mundial apresentouna terça-feira planos para criar um fundo de 300 milhões dedólares dedicado a combater o aquecimento global por meio dapreservação das florestas. Mas manifestantes disseram que a medida poderia transformaro lar de populações indígenas em propriedade dos ricos. O novo mecanismo de financiamento, lançado nas negociaçõesda Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as mudançasclimáticas, pretende transformar o bom gerenciamento de áreasde floresta em uma mercadoria negociável. O objetivo seria conter a destruição das matas, responsávelpor um quinto das emissões anuais de carbono."Se não nos concentrarmos na proteção das florestas tropicaisainda restantes no mundo, limitaremos dramaticamente nossasopções quando se trata de reduzir as emissões de gases doefeito estufa", afirmou o presidente do Banco Mundial, RobertZoellick, no lançamento do projeto. "O desmatamento e as mudanças no uso da terra são a segundaprincipal causa do aquecimento," afirmou, acrescentando que oprojeto representava apenas o início do combate ao problema. Zoellick citou uma estimativa do economista Nicholas Sternsegundo a qual gastos de mais de 5 bilhões de dólares por anoseriam necessários a fim de conter a derrubada de florestas. Um fundo de "prontidão" de 100 milhões de dólaresforneceria verbas a cerca de 20 países a fim de que sepreparassem para a chegada de grandes projetos de proteção deflorestas em meio a um novo acordo mundial sobre mudançasclimáticas As verbas custearão medidas tais como a verificação dasituação atual das florestas, a criação de sistemas demonitoramento e o aumento do controle das autoridades sobreessas áreas. Um segundo "mecanismo de financiamento do carbono", de 200milhões de dólares, permitirá que alguns desses países realizemprojetos piloto em meio aos quais receberão créditos paracombaterem o desmatamento. Os créditos pertencerão aos paísesou grupos que fornecerem o dinheiro para o fundo. Dos 300 milhões de dólares, 160 milhões já foram prometidospor sete países desenvolvidos, disse o Banco Mundial. Os cortes na emissão vinda de áreas de floresta não podemreceber créditos segundo o esquema existente hoje porque foramexcluídos da primeira rodada de negociações do Protocolo deKyoto, que deixa de vigorar em 2012. Mas a proteção a essas áreas poderia ser vendida emmercados voluntários. Entre os projetos poderiam constar desde ações dereflorestamento até medidas para dividir melhor a terra emáreas de plantio e de preservação, pagando pessoas por serviçosprestados ao meio ambiente ou para melhorarem o manejo de áreasde mata, disse Benoit Bosquet, autoridade do Banco Mundial. Há interesse da parte de cerca de 30 países por projetosque muitos no setor de comércio de cotas de carbono e nospaíses em desenvolvimento que combatem a derrubada das matasesperam ver servir de fonte para o financiamento da proteção deflorestas em um acordo elaborado para suceder Kyoto. O Banco Mundial havia dito antes que negociava com a PapuaNova Guiné, a Costa Rica e a Indonésia, além de com órgãosregionais do Brasil e da República Democrática do Congo. Mas grupos indígenas e ambientalistas dizem estarpreocupados com a possibilidade de os acordos, ao priorizarem ovalor das florestas como retentores de carbono, colocarem delado as pessoas que mais têm a perder com o desmatamento. "Apesar de esse mecanismo ter um bom potencial, estamospreocupados sobre como isso funcionará, já que houve e háexperiências negativas nessa área", disse VictoriaTauli-Corpuz, presidente do Fórum Permanente das Nações Unidaspara as Questões Indígenas. Segundo Tauli-Corpuz, de origem indígena, as florestasvisadas pela iniciativa abrigam 160 milhões de pessoas quefuncionam como protetores da biodiversidade dessas matas e quedeveriam participar da elaboração e do gerenciamento dosprojetos.

EMMA GRAHAM-HARRISON, REUTERS

11 de dezembro de 2007 | 13h16

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