Banco de fomento africano busca novas fontes de capital

O Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) está atrás de novos mercados e novas fontes de financiamento, porque a crise econômica global -e especialmente a da zona do euro- reduziram o capital disponível, segundo seu diretor de Estratégia.

NINA CHESTNEY, REUTERS

21 Junho 2012 | 19h49

O AfDB tem como sócios 53 nações africanas, e investe em projetos de infraestrutura e energias renováveis, entre outros.

Por causa da crise nos países desenvolvidos, o banco começou a focar em investimentos no Brasil, Índia e China, que experimentam um rápido crescimento, impulsionado principalmente por abundantes reservas de petróleo, gás e minérios.

"Nos próximos dois meses vamos finalizar nossa estratégia para os próximos dez anos... Estamos tentando nos reinventar", disse Kapil Kapoor à Reuters durante a conferência de desenvolvimento sustentável Rio+20.

"Uma parte muito importante da nossa estratégia de longo prazo são novas fontes de financiamento e o reconhecimento do que está acontecendo nos EUA e na zona do euro, por exemplo", disse ele.

Neste mês, o AfDB fechou uma parceria para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil busque e possivelmente financie projetos de infraestrutura e energia limpa na África.

O AfDB está entre os oito bancos multilaterais de fomento que prometeram na quarta-feira 175 bilhões de dólares ao longo de dez anos para estimular projetos de transporte com baixas emissões de carbono.

No ano passado, o banco já havia aprovado financiamentos que resultarão na geração de 630 megawatts de energia limpa na África.

"Os atuais recursos que temos -4 a 6 bilhões de dólares por ano- não são suficientes para a África. Gostaríamos de multiplicá-los por cinco, sete, dez", disse Kapoor.

O banco utiliza um esquema de créditos de carbono da ONU, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, para financiar projetos de energia renovável.

Por esse esquema, países e empresas compram créditos que são contabilizados para os limites de emissões de gases do efeito estufa previstos no Protocolo de Kyoto.

Mas o preço dos créditos de carbono caiu até 75 por cento no último ano devido ao excesso de oferta no mercado e de preocupações com a situação econômica mundial.

Questionado sobre os efeitos disso para a estratégia do banco, Kapoor disse que a incerteza nos mercados financeiros tem mais impacto. "Não acho que (os preços baixos do carbono) sejam uma restrição verdadeira. Trata-se mais do risco político e de os investidores não saberem o ambiente em que estão entrando. Por isso estamos cada vez mais buscando uma variedade de instrumentos, como mecanismos de garantia e resseguro, para alavancar capital."

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