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Ban Ki-moon cobra contribuição de países para o Fundo Verde

'Nosso planeta tem febre e está ficando mais quente a cada dia', disse o secretário-geral da ONU na COP-20, em Lima

Denise Chrispim Marin, Enviada Especial

09 Dezembro 2014 | 22h33

LIMA - Ao enfatizar nesta terça-feira, 9, a urgência de um acordo para conter o processo de aquecimento global, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, cobrou a contribuição dos países presentes na 20.ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP-20), em Lima, para o Fundo Verde. Principal mecanismo de financiamento às iniciativas de mitigação e de adaptação de Nações em desenvolvimento e mais pobres, o fundo opera com US$ 9 bilhões anuais, quando já deveria contar com US$ 100 bilhões ao ano.

"Chegou o tempo para a transformação", afirmou Ban Ki-moon, ao insistir que os compromissos que serão reafirmados pelos 195 países da COP em Paris, em 2015, não devem se opor às agendas nacionais de desenvolvimento. "A mudança climática não pode ser tratada como um assunto separado do desenvolvimento e das fontes de financiamento."

"Nosso planeta tem febre e está ficando mais quente a cada dia", disse o secretário-geral da ONU. "Não podemos mais queimar nosso meio de prosperidade. Temos de agir agora. Quanto mais demoramos, mais teremos de pagar", completou.

A palavra "urgência" dominou os discursos das autoridades na cerimônia de abertura, a começar pelo presidente da COP-20, Manuel Pulgar-Vidal, ministro do Meio Ambiente do Peru. "Nunca antes tivemos essa oportunidade (de chegar a um acordo multilateral), nunca antes tivemos tanta urgência", disse Christiana Figueres, secretária executiva da Conferência do Acordo-Quadro sobre Mudança Climática (UNFCCC).

Impasse. Com a missão de alcançar um acordo que servirá para guiar as negociações ao longo de 2015, a COP-20 ainda vivia nesta terça sob impasse. Países desenvolvidos, de um lado, e em desenvolvimento, de outro, ainda se entrincheiravam em velhas posições. Os primeiros insistiam em ter maior flexibilidade para apresentar seus compromissos de redução de emissões dos gases de efeito estufa e de provedor de financiamento aos mais pobres, uma atribuição que, a rigor, só as nações em desenvolvimento poderão ter.

O Fundo Verde recebeu uma contribuição adicional de US$ 1 bilhão, na semana passada. No total, dispõe de 10% do volume imaginado. Outra questão básica aberta é qual o ano de referência para os compromissos de corte de emissões que serão apresentados pelos países ao longo de 2015. Sem o ano-base, não haverá como contabilizar as contribuições para evitar o aquecimento do planeta superior a 2ºC até o final do século. 

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