Bali enfrenta críticas a comércio de cotas de emissão

O Protocolo de Kyoto obriga os países ricos a cortarem, até 2012, suas emissões de gases do efeito estufa

GERARD WYNN, REUTERS

05 de dezembro de 2007 | 13h32

Os países ricos têm menos de um mês para começar a cumprir as metas de emissão de gases do efeito estufa fixadas pelo Protocolo de Kyoto, um pacto de combate ao aquecimento do planeta. Ainda assim, 16 dos 36 países industrializados submetidos aos limites de Kyoto encontram-se acima das metas fixadas para 2008-2012 e podem ter de comprar créditos de carbono para cumpri-las, o que gerou críticas no encontro sobre o clima realizado em Bali (Indonésia) sob o comando da Organização das Nações Unidas (ONU). "Há um sentimento bastante arraigado (entre os países mais pobres) de que vários dos compromissos nessas áreas, compromissos assumidos anos atrás, não foram cumpridos e que serão convenientemente esquecidos quando passarmos para o novo item da agenda chamado futuro", afirmou Yvo de Boer, chefe da ONU para as questões climáticas. Cerca de 190 países reúnem-se em Bali para tentar dar início a um processo de dois anos de negociações que resultariam em um pacto capaz de suceder ao Protocolo de Kyoto a partir de 2013. A intenção é acertar um amplo pacto climático que reúna os países ricos e pobres, já que as metas fixadas pelo atual acordo foram consideradas insuficientes quando vistas no longo prazo. O Protocolo de Kyoto obriga os países ricos a cortarem, até 2008-2012, suas emissões de gases do efeito estufa para 5% abaixo dos níveis de 1990. Mas permite que paguem os países em desenvolvimento para que diminuam suas emissões em nome deles, e isso por meio das cotas de emissão de carbono. Apesar de Kyoto ter entrado em vigor em 2005, o período de verificação das metas estende-se de 1º de janeiro de 2008 a 2012. Alguns países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, acreditam que os países ricos deveriam realizar cortes bruscos em suas emissões, diminuindo o uso de combustíveis fósseis, antes de elaborar novas formas de custear cortes mais baratos em outros países, tais como por meio da redução do desmatamento. A derrubada das florestas tropicais é um fator importante das mudanças climáticas. Para incentivar a adoção de medidas internas, a União Européia (UE) propôs um limite de 10% para a compra de cotas de emissão quando se trata de atingir sua meta de reduzir essas emissões em um quinto até 2020, afirmou de Boer à Reuters. O bloco deve apresentar detalhes sobre essa medida no próximo mês. Na quarta-feira, a UE não quis fazer comentários sobre o limite de 10%. Os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo de Kyoto, afirmando, em 2001, que o pacto havia errado ao eximir os países em desenvolvimento das metas compulsórias. Nesta semana, o país disse que o esquema de cotas de emissão havia permitido que a UE aumentasse suas emissões apesar dos limites de Kyoto. As emissões de seis dos 15 membros mais antigos do bloco aumentaram em 2005, colocando o UE-15 2% abaixo dos níveis de 1990 - o Protocolo de Kyoto prevê uma meta de 8% abaixo dos níveis de 1990.

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